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Rumor de Folhas
Silveira de Souza
No Parque
O teu rosto sobre as águas
seguia a inquietação das maretas
Como linhas paralelas
tecíamos juntos caminhos separados
O teu rosto sobre as águas
sombra de fundo contornando flores
Teias
São essas sombras de teias
que me livram do viver
tão só em mim
Essas mortes caladas
soletradas nas escamas dos jornais
É o labirinto de artérias (ruas)
na vertigem das cidades
abaixo da impotência
das janelas.
Três
Foram três noites indormidas
Três casas mal-assombradas
Três assaltos ao mesmo banco
Três orgulhos mal parados
Três rosas brancas num vaso
Três fomes dependuradas
em três bocas ressequidas
Três preces não atendidas
Três sonhos angustiados
Três vezes três sofrimentos
num só corpo macerado
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