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Garotinho
No ano em que o Rio de Janeiro e a Guanabara
viraram um único estado, o Liceu de Humanidades
de Campos ganhou um novo líder estudantil.
Passadas pouco mais de duas décadas, em 1999, o
garoto falante, simpatizante do Partidão e
briguento que só ele chegaria ao Palácio
Guanabara, com mais de quatro milhões dos votos válidos
e uma idéia fixa na cabeça - a de fazer, de
verdade, a tal da fusão.
A essa altura, a democracia já havia voltado ao
País e o presidente Fernando Henrique Cardoso
conseguira garantir o seu segundo mandato. O Rio
de Janeiro? Estava mergulhado em dívidas e havia
vendido quase todo o seu patrimônio. Só com a
União, o débito era de mais de R$ 20 bilhões.
Depois de três anos e três meses, Anthony
William Garotinho Matheus de Oliveira deixou o
Governo do Rio. E, de herança, um estado saneado
financeiramente, com um dos maiores salários mínimos
do país, que hoje varia entre R$ 240 e R$ 280, e
uma das menores taxas de desemprego, o que lhe
rendeu um índice de aprovação de 88%, de acordo
com o Ibope. A fusão? Havia saído do papel.
O filho do advogado Hélio Montezano de Oliveira e
da dona de casa Samira nasceu em Campos, no Norte
Fluminense, no dia 18 de abril de 1960. Graças
aos seus 5,5 Kg, ganhou - ainda na maternidade - o
apelido de Bolinha que, depois, no rádio, seria
substituído por Garotinho. Antes de disputar sua
primeira eleição, em 1982, para a Câmara
Municipal de Campos, fez de tudo um pouco: teatro
amador, trabalhou como disc-jóquei de um programa
de rock e locutor, primeiro de corrida de cavalos
e, depois, de futebol. Por conta de sua participação
no Teatro do Oprimido, de Augusto Boal, acabou
sendo convidado a deixar a Rádio Nacional. Nada
definitivo. Voltaria depois à tribuna popular, em
outras emissoras.
Para preencher o tempo vago, Garotinho costumava
jogar xadrez e escrever poesias. Graças a elas,
conquistou uma jovem de Itaperuna que, a exemplo
dele, freqüentava o Teatro Sesc, em Campos. Em
1981, Garotinho e Rosinha se casaram. Da união,
nasceram quatro filhos (Clarissa, Vladimir,
Anthony, Clara) e outros cinco (Maria Aparecida,
Altamir, Amanda, Vanderson e Davi) foram adotados.
Com a família, Garotinho voltou a se transferir
para o Rio e, em 1986, se tornou deputado
estadual, aos 26 anos. Dois anos mais tarde, nova
mudança. O candidato mais votado do Partido
Democrático Trabalhista deixaria a Assembléia
Legislativa do Rio de Janeiro para brigar, com os
usineiros de açúcar e a oligarquia do Norte
Fluminense, pela Prefeitura de Campos. Era a
campanha do tostão contra o milhão.
Venceu a guerra, foi considerado pela Associação
Brasileira dos Municípios o melhor prefeito do
Brasil e reeleito em Campos, quatro anos depois,
com 74% dos votos válidos. No intervalo, entre
1993 e 1996, o ex-líder estudantil assumiu a
Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento
e Pesca, no segundo mandato de Brizola, e disputou
- pela primeira vez - o Governo do Estado do Rio
de Janeiro. Perdeu a batalha para Marcello
Alencar, por uma diferença de apenas 4% dos votos
válidos, no segundo turno.
No dia 10 de setembro de 1994, durante a campanha,
um caminhão atravessou seu caminho na Rodovia
Presidente Dutra, na altura de Volta Redonda, e
quase o fez perder o braço direito. Por conta do
acidente, se converteu - no ano seguinte - à
Igreja Presbiteriana Betânia.
Obstinado que ele só, Garotinho não desistiu do
Palácio Guanabara. Em 1998, venceu a eleição,
derrotando o pefelista Cesar Maia. Renegociou a dívida
com a União, aumentou em 50% a arrecadação e
investiu em várias frentes: só em Saneamento e
Meio Ambiente foi R$ 1 bilhão. Mas foi na área
social que Garotinho mais investiu, criando o
Cheque Cidadão, programa de renda mínima que
beneficiou 65 mil famílias, e os sete
restaurantes populares, reproduzidos pelo País
afora.
Foi graças a sua bem-sucedida performance no
Governo do Estado do Rio de Janeiro - que já
longe do PDT, depois de 18 anos no partido - foi
escolhido para concorrer à Presidência da República
pelo Partido Socialista Brasileiro e, hoje,
disputa o segundo lugar na preferência do
eleitorado.
Em vez de fazer barulho contra a obrigatoriedade
do uniforme e a prisão arbitrária de professores
do Liceu, o ex-líder estudantil agora promete
brigar para aumentar o salário mínimo, diminuir
o desemprego e dar um basta à violência no País.
Como? Através da redução das taxas de juros, de
um programa de apoio ao crédito e de uma ampla
reforma tributária, capaz de tornar as empresas
brasileiras competitivas aqui e lá fora. Para ser
um país justo, o Brasil precisa crescer, costuma
dizer o ex-líder estudantil e, hoje, pré-candidato
do PSB à Presidência da República.
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