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Ziraldo
ZIRALDO talvez seja o único
escritor do mundo a desfrutar a honra de ter um
de seus títulos comparados à lua
por ninguém menos que Neil Armstrong, o
primeiro astronauta a pisar o respectivo satélite,
que disse: The moon is Flicts. Polivalente, esse
autor de livros infantis tem uma longa trajetória
como artista gráfico, humorista, ilustrador,
cartunista, caricaturista, dramaturgo e jornalista.
Ele foi o primeiro a criar uma revista de história
em quadrinhos brasileira, reunindo todos os bichos
do folclore nacional, um pequeno índio
e o Saci-Pererê, que, sendo o mais importante
mito popular do país, deu título
à publicação. Sua consagração
total chegou com o lançamento de O Menino
Maluquinho, lido e admirado por milhões
de crianças de várias gerações
que ainda tiveram a alegria de assisti-lo em duas
versões para o cinema. Durante a ditadura
militar, Ziraldo participou da resistência
política, fundando, com outros humoristas,
o mais importante jornal não-conformista
da imprensa brasileira, o Pasquim.
OBRAS
Flicts (1969); Turma do Pererê
(1973); O Planeta Lilás (1979); O Menino
Maluquinho (1980); As Anedotinhas do Bichinho
da Maçã (1994); Uma Historinha sem
um Sentido (1994); Tia Nota Dez (1995); O Menino
do Rio Doce (1997); O Calcanhar de Aquiles (1998);
Outro como eu Só Daqui a Mil Anos (1999);
500 Anos de Anedotas de Português (2000);
Rolando de Rir (2001).
UM PROFETA DO MUNDO
“E Ziraldo, ansioso, fanático,
incansável, se transformou num dos profetas
de ponta desse humor gráfico. [...] Habita
o mundo de todos esses loucos — Scarfe, Stedman,
François, Gorey, Steinberg — expoentes
de uma arte amadurecida no século, e, como
eles, se apropria de todo o acervo visual, popular
e erudito, da cidade e do mundo.” (Millôr
Fernandes, Anfiguri)
A FORÇA DA AMBIGÜIDADE
“Nessa capacidade de aprofundar
ambigüidades e analogias, com um nítido
espírito político, está a
força expressiva de Ziraldo.” (Carlos Castello
Branco, A Linguagem de Ziraldo)
Extrato da obra O Menino
Maluquinho
A pipa que/ o menino
maluquinho soltava/ era a mais maluca de todas/
rabeava lá no céu/ rodopiava adoidado/
caía de ponta-cabeça/ dava tranco
e cabeçada/ e sua linha cortava/ mais que
o afiado cerol./ E a pipa/ quem fazia/ era mesmo
o menininho/ pois ele havia aprendido/ a amarrar
linha e taquara/ a colar papel de seda/ e a fazer
com polvilho/ o grude para colar/ a pipa triangular/
como o papai/ lhe ensinara/ do jeito que havia/
aprendido/ com o pai/ e o pai do pai/ do papai.
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