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Sobre o Autor e sua Obra

Vinícius de Moraes

Qualquer que seja a análise feita da obra de VINÍCIUS DE MORAES, não se pode escapar das palavras mudança, evolução, transição. Sua poesia, além de ser a encarnação do movimento e do transitório, elege a busca como motor primordial: do divino, da coisa ordinária, do homem concreto, do homem social, do homem banal, do amante e, sobretudo, da mulher. E na busca da mulher, das infinitas mulheres que se concentram e se desprendem de uma mulher, a afirmação do motivo principal: mudança, evolução, transição. Poeta viril e terno, transcendental e carnal, caudaloso e contido, ele fez de sua obra o lugar do encontro e da despedida. Talvez, nenhum outro poeta personifique tão bem e ao mesmo tempo o apolíneo e o dionisíaco, tanto na obra quanto na vida: ao lado da sobriedade e da lucidez já bem precoces, surge e cresce o espírito da embriaguez e da entrega total, em nome da reflexão e da vitalidade que reinam em sua poesia. Enfim, não importa que Vinícius parta do etéreo para chegar ao real, o que mais vale em sua obra é a busca da fusão com a vida.

OBRAS

O Caminho para a Distância (1933); Forma e Exegese (1935); Ariana, A Mulher (1936); Novos Poemas (1938); Cinco Elegias, (1943); Poemas, Sonetos e Baladas, (1946); Pátria minha (1949); Antologia Poética (1954); Orfeu da Conceição (1956); Livro de Sonetos (1957); Novos Poemas, II (1959); Para Viver um Grande Amor (1962); Obra Completa e Prosa (1998).

PLURALISMO POÉTICO

“Porque ele tem o fôlego dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a perícia dos parnasianos (sem refugar, como estes, as sutilezas barrocas), e, finalmente, homem bem do seu tempo, a liberdade, a licença, o esplêndido cinismo dos modernos.” (Manuel Bandeira , Coisa Alóvena, Ebaente)

A VOZ DO ENCONTRO

“Pela voz do poeta, cantam os que não têm voz. O próprio morro tem vez. Vinícius abandona a tentação de um refinamento a seu alcance e dissolve-se no sentimento geral. Assim como em versos de quem conhece os segredos da técnica mais apurada cabe uma receita de feijoada, assim também, no balanço e na cadência de um samba, cabe um hino de amor à vida. O poeta altíssimo está, finalmente, na boca das multidões. Agora, sim, olha o céu, mas sobretudo pisa a terra.” (Otto Lara Resende, O Caminho para o Soneto)

Extrato da obra Poema de Natal

Para isso fomos feitos: / Para lembrar e ser lembrados / Para chorar e fazer chorar / Para enterrar os nossos mortos / Por isso temos braços longos para os adeuses / Mãos para colher o que foi dado / Dedos para cavar a terra. // Assim será a nossa vida: / Uma tarde sempre a esquecer / Uma estrela a se apagar na treva / Um caminho entre dois túmulos — / Por isso precisamos velar / Falar baixo, pisar leve, ver / A noite dormir em silêncio. // Não há muito a dizer / Uma canção sobre um berço / Um verso, talvez de amor / Uma prece por quem se vai — / Mas que essa hora não esqueça / E por ela nossos corações / Se deixem, graves e simples. // Pois para isso fomos feitos: / Para a esperança no milagre / Para a participação da poesia / Para ver a face da morte — / De repente nunca mais esperaremos… / Hoje a noite é jovem; da morte apenas / Nascemos, imensamente.

Para corresponder com o autor (a), escreva:lucia@bmsr.com.br

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