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Rubem
Fonseca
Antes de ser consagrado um
dos principais escritores do país pela
crítica e pelo público, RUBEM FONSECA,
hoje com diversos prêmios nacionais e internacionais,
foi comissário de polícia. Certamente,
vem dessa experiência um vasto catálogo
de casos e personagens do submundo do crime, mas
o fato de conseguir enxergar as tragédias
humanas, dando a elas uma densidade única,
diz respeito apenas à própria sensibilidade
e à exímia arte no manejo das palavras
e da imaginação. Sua escrita agressiva
se caracteriza pela utilização de
frases curtas, cortes abruptos e diálogos
ríspidos, aliando esses elementos a algumas
particularidades voluntariamente repugnantes.
Com preciso domínio sobre o ofício,
o escritor é capaz de criar as situações
mais inesperadas, fazendo parecer que nada de
extraordinário esteja acontecendo. Contos
como A Arte de Andar nas Ruas do Rio de Janeiro,
estilisticamente exemplares, o filiam a uma tradição
oriunda de Machado de Assis, levando-o a renovar
a ficção urbana brasileira. O autor
escreve roteiros para o cinema e televisão,
e diversas de suas histórias foram adaptadas
com enorme sucesso para as telas.
OBRAS
Os Prisioneiros (1963); A
Coleira do Cão (1965); Lúcia McCartney
(1967); O Caso Morel (1973); Feliz Ano Novo (1975);
O Cobrador (contos, 1979); A Grande Arte (1983);
Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos
(1988); Romance Negro e outras Histórias
(1992); Contos Reunidos (1994); Do Meio do Mundo
Prostituto só Amores Guardei ao meu Charuto
(1997); Secreções, Excreções
e Desatinos (2001).
UM DOS MAIS INTERESSANTES
DO MOMENTO
“Esplêndido e significativo
livro de um dos autores brasileiros mais interessantes
do momento. Um conjunto de contos arrepiantes.”
(El País)
A PROXIMIDADE DO DISTANTE
“O que inquieta no livro
é que esse mundo marginal distante se vai
aos poucos revelando como nosso próprio
mundo, onde os desvios são cada vez mais
a norma.” (Zuenir Ventura, Visão)
Extrato da obra A Arte de
Andar nas Ruas do Rio de Janeiro
Desde os anos 40, quase
ninguém morava mais nos sobrados das principais
ruas do Centro, no miolo comercial da cidade,
que podia ser contido numa espécie de quadrilátero,
tendo como um dos lados o traçado da Avenida
Rio Branco, o outro numa linha sinuosa que começasse
na Visconde de Inhaúma e continuasse pela
Marechal Floriano até a Rua Tomé
de Souza, que seria o terceiro lado, e finalmente,
o quarto lado, um percurso meio torto que tivesse
início na Visconde do Rio Branco, passasse
pela Praça Tiradentes e pela Rua da Carioca
até a Rio Branco, fechando o espaço.
Os sobrados, nessa área, passaram a servir
de depósitos de mercadorias. Como os negócios
da chapelaria foram diminuindo gradativamente
a cada ano, pois as mulheres deixaram de usar
chapéus, até mesmo em casamentos,
e não havia mais necessidade de um depósito,
pois o pequeno estoque de mercadorias podia ficar
todo na loja, o sobrado, que não interessava
a ninguém, ficou vazio.
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