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Padre
Manoel da Nóbrega
Se hoje já se tem
visão crítica do que significou
o dito “descobrimento” do Brasil e o concomitante
processo “civilizatório” dos povos que
habitavam essa terra, fatos que se tornam bárbaros
aos olhos modernos, não se pode negar que
os textos produzidos naquela época são
o melhor testemunho não apenas dos eventos
que deram origem ao que, no futuro, se tornaria
o estado brasileiro, mas que, principalmente,
revelam o pensamento político e religioso
que estava na base de todo o colonialismo. Os
escritos do PADRE MANOEL DA NÓBREGA formam
um marco literário genuinamente produzido
no Brasil. Nas cartas de Nóbrega encontra-se
o início da história do povo brasileiro,
dentro, é claro, do ponto de vista de um
catequizador. Está ali, por exemplo, a
luta entre cristãos e índios: os
primeiros consideravam os segundos como “um papel
branco” onde se podia escrever “as virtudes mais
necessárias”. Ainda que Nóbrega
não tenha a estatura lírica de José
de Anchieta, seu Diálogo sobre a conversão
do gentio, primeiro texto em prosa escrito no
Brasil, tem grande valor literário.
OBRAS
Cartas do Brasil (1931);
Diálogos sobre a Conversão do Gentio
(1954); Novas Cartas Jesuítas (1957).
O BOM CATEQUIZADOR
“Nenhum outro o excedeu em
zelo, no senso da oportunidade e na avaliação
dos recursos intelectuais e morais disponíveis
para grande obra de trazer à fé
cristã as almas dos jesuítas.” (Austregésilo
de Athayde, O Grande Roupeta)
ÉTICA ORIGINAL
“Os documentos jesuíticos
não são apenas história do
Brasil: são essenciais à ética
brasileira. […] Publicamos agora, como era devido,
o primeiro e o igual aos maiores — o grande padre
Manuel da Nóbrega.” (Afrânio Peixoto,
introdução a Cartas do Brasil)
Extrato da obra Ao Padre
Mestre Simão Rodrigues de Azevedo (1549)
A graça e o amor do
Nosso Senhor Jesus Cristo sejam sempre em nosso
favor e ajuda. Amém.
Somente darei conta a Vossa
Reverendíssima de nossa chegada a essa
terra, e do que nela fizermos e esperarmos fazer
em Senhor Nosso, deixando os fervores de nossa
próspera viagem aos Irmãos que mais
em particular a notaram.
Chegamos a esta Bahia
a 29 dias do mês de março de 1549.
Andamos na viagem oito semanas. Achamos a terra
de paz e quarenta ou cinqüenta moradores
na povoação que antes era; receberam-nos
com grande alegria e achamos uma maneira de igreja,
junta da qual logo nos aposentamos os Padres e
Irmãos em umas casas a par dela, que não
foi pouca consolação para nós
dizermos missas e confessarmos. E nisso nos ocupamos
agora.
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