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Sobre o Autor e sua Obra

Carlos Drummond de Andrade

Se houvesse um único eixo em torno do qual girasse a poesia brasileira, poderíamos dizer que, no século XX, na fase mais madura e exemplar do destino poético do país, CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE seria esse sol luminoso. Outros, certamente, como João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, poderiam compartilhar com ele o mesmo lugar privilegiado. Mas Drummond é aquele caso raro que, como Fernando Pessoa, une sua grandiosa obra à capacidade de se tornar fundamental para todos os tipos de leitores, do adolescente a descobrir o mundo ao erudito mais rigoroso, do porteiro de um prédio ao alto executivo de uma empresa e, desse, ao poeta em busca de conhecimentos... Ele já foi visto como uma espécie de Baudelaire de nossa poesia moderna, querendo-se dizer com isso que o itabirano e cidadão do Rio de Janeiro levou nossa poesia às mais pertinentes questões existenciais e filosóficas do mundo contemporâneo, à vida urbana, à sociedade de massa, às reflexões sociais etc., criando uma poesia acentuadamente brasileira e universal, sem qualquer resquício de uma caricatura nacional.

OBRAS

Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934) Sentimento do Mundo (1940); Poesias (1942); Rosa do Povo (1945); Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Poemas (1959); Boitempo & A Falta que Ama (1968); As Impurezas do Branco (1973); Corpo (1984); Amar se Aprende Amando (1985); Poesia e Prosa (1992 ).

MODERNA CONSTRUÇÃO ENTRE RUÍNAS

“A melhor poesia é sempre uma súmula cultural. A poesia de Drummond articula um protótipo do mundo moderno — o gauche. Aí está o sentimento de uma região, de um país e o sentimento do mundo. Aí o problema central é o tempo: o crescimento e o desgaste do personagem, e a obra que resta ao final. A obra como resíduo vital que permanece, uma construção entre ruínas.” (Affonso Romano de Sant’Anna, Um Protótipo do Homem Moderno)

UM POETA EM TUDO

“Carlos Drummond de Andrade já é, como poeta, ficcionista. As suas composições em verso nunca se afastam por completo do desenho que as coisas apresentam aos olhos dos que as contemplam sem outra idéia que não seja vê-las no seu próprio desenho. Um poeta no mundo, um poeta no tempo, um poeta no espaço, um poeta na realidade — eis o poeta que o poeta de Alguma Poesia em verdade é.” (João Gaspar Simões, O Contista)

Extrato da obra A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente/ uma estrada de Minas, pedregosa,/ e no fecho da tarde um sino rouco// se misturasse ao som de meus sapatos/ que era pausado e seco; e aves pairassem/ no céu de chumbo, e suas formas pretas// lentamente se fossem diluindo/ na escuridão maior, vinda dos montes/ e de meu próprio ser desenganado,// a máquina do mundo se entreabriu/ para quem de a romper já se esquivava/ e só de o ter pensado se carpia.// Abriu-se majestosa e circunspecta,/ sem emitir um som que fosse impuro/ nem um clarão maior que o tolerável/ pelas pupilas gastas na inspeção/ contínua e dolorosa do deserto, e pela mente exausta de mentar// toda uma realidade que transcende/ a própria imagem sua debuxada/ no rosto do mistério, nos abismos.

Para corresponder com o autor (a), escreva:lucia@bmsr.com.br

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