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Bernardo
Guimarães
Romancista e poeta da segunda
geração romântica, BERNARDO
GUIMARÃES nasceu em 1825 e morreu em 1884.
Como ficcionista, a capacidade incomum para retratar
os costumes regionais o levou à adoção
de uma linguagem atravessada por saborosas expressões
do interior e, mais do que isso, pelo próprio
pitoresco da oralidade provinciana. Assim, uma
de suas contribuições mais importantes
foi a de minar o excesso declamatório vigente
na época em que viveu. Com Escrava Isaura,
romance de denúncia antiescravocrata, o
escritor se tornou popular até nossos dias.
Aventurou-se, também, como José
de Alencar, pelo romance histórico, folclórico-lendário,
indianista e psicológico, mas, contrariamente
àquele, com sua poesia, realizou paródias
do indianismo com o intuito de, ridicularizando-o,
deixá-lo para trás. Poemas satíricos,
obscenos e bestialógicos, filiando-o à
corrente satânica do ultra-romantismo, consolidaram
o lado boêmio do escritor. Afastando-se
de um lirismo açucarado de muitos poetas
de então, ele emprega todo um vocabulário
de práticas sexuais explícitas que
choca a moralidade conservadora reinante.
OBRAS
Os Cantos da Solidão
(1852); Poesias (1865); O Ermitão de Muquém
(1866); A Garganta do Inferno (1871); O Garimpeiro
(1872); O Seminarista (1872); A Filha do Fazendeiro
(1872); O Índio Afonso (1873); A Escrava
Isaura (1875); Novas Poesias (1876); A Ilha Maldita
(1879); Folhas de Outono (1883).
A MELHOR RESPOSTA
"O autor atinge extremos
que lhe permitem articular a mais forte e melhor
resposta dada à hipocrisia reinante, à
permanência dos temas já vazios e
à própria languidez de seus pares."
(Leonardo Fróes, Romantismo: uma Estética
de Loucos)
COMPARÁVEL APENAS
A JOSÉ DE ALENCAR
"A obra vária
de Bernardo Guimarães é o segundo
grande universo ficcional do romantismo, o único
outro cosmos romanesco de amplitude comparável
ao maciço alencariano." (José
Guilherme Merquior, De Anchieta a Euclides)
Extrato da obra Escrava Isaura
Já bastante
lhe pesava andar enganando a sociedade a respeito
de sua verdadeira condição; alma
sincera e escrupulosa, envergonhava-se consigo
mesma de impor às poucas pessoas, que com
ela tratavam de perto, um respeito e consideração
a que nenhum direito podia ter. Mas, considerando
que tal disfarce nenhum grande mal podia resultar
à sociedade, conformava-se com sua sorte.
Deveria, porém, ela, ou poderia sem inconveniente
manter o seu amante na mesma ilusão? Com
seu silêncio, conservando-o na ignorância
de sua condição de escrava, deveria
deixar alimentar-se, crescer profunda e enérgica
paixão, que o moço por ela concebera?...
não seria isto um vil embuste, uma indignidade,
uma traição infame? Não teria
ele o direito, ao saber da verdade, de acabrunhá-la
de amargas exprobações, de desprezá-la
de calcá-la aos pés, de tratá-la
enfim como escrava abjeta e vil, que ficaria sendo?
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