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Autran
Dourado
AUTRAN DOURADO é detentor
de diversos prêmios nacionais e internacionais,
como os prestigiosos Goethe, da Alemanha, e o
Camões, que recebeu em 2000 pelo conjunto
de sua obra e o colocou ao lado de escritores
como o Prêmio Nobel José Saramago.
A Unesco escolheu Ópera dos Mortos, um
de seus livros mais importantes, para integrar
a Coleção de Obras Representativas
da Literatura Universal, e Os Sinos da Agonia
foi adotado para os exames de Agregação
das Universidades Francesas. Freqüentemente
comparado a William Faulkner, esse escritor, nascido
no ano de 1926 em Minas Gerais, é dono
de uma elaborada prosa em que predomina uma sólida
estrutura arquitetônica aliada a questões
existenciais. A liberdade do autor faz com que
ele consiga transformar a realidade, e com ela
o próprio tempo, em verdadeiros mitos que
se renovam incessantemente. Seu último
livro, Gaiola Aberta, descortina os bastidores
do poder político: narrando o momento histórico
em que foi secretário de imprensa do então
presidente da República Juscelino Kubitschek,
para quem, inclusive, escrevia os discursos, ele
aborda a relação entre o escritor
e o poder.
OBRAS
Teia (1947); Sombras e Exílio
(1950); A Barca dos Homens (1961); Uma Vida em
Segredo (1964); Ópera dos Mortos (1967);
O Risco do Bordado (1970); Uma Poética
do Romance (1973); Os Sinos da Agonia (1974);
As Imaginações Pecaminosas (1981);
A Serviço Del-Rei (1984); Um Artista Aprendiz
(1989); Confissões de Narciso (1997); A
Gaiola Aberta (2000).
OS MECANISMOS DO DESTINO
"The exquisitely intricate
and intense narrative of Autran Dourado's Opera
of the Dead, orchestrates the implacable gearings
of tragedy, magnificently decomposing the mechanisms
of fate responsible for dragging and grinding
the human beings." (Anne Bragance, Le Monde)
ENTRE OS MELHORES
"Autran Dourado, like
Guimarães Rosa and Clarice Lispector, is
considered in Brazil the best representative of
the local New Literature School whose major feature
is the emphasis on linguistic rennovation, combining
the use of provincialisms, literary tradition
and modern narration techniques." (Henry
Thorau, Die Zeit)
Extrato da obra Ópera
dos Mortos
O menino Valdemar era
muito doentinho, vivia sempre perrengue. Aconteceu
um dia caiu de cama, um febrão da gente
sentir de longe o calorão, variava, dizia
despropósitos, pedia pra mãe ficar
bem junto dele, queria ela perto. Os dias passavam
e o menino nada de melhorar, não era como
das outras vezes. Seu major andava de cara amarrada,
de pouca conversa, despachava gente pra cidade,
mandou chamar médico. Nem de longe pensava
mais em caçada, ele tinha até medo
de seu major fazer uma promessa besta qualquer
de nunca mais caçar. O menino só
falava na sua espingardinha de cano de guarda-chuva.
Seu major consultou a mulher com os olhos, ela
disse está bem, Lindolfo, faz a vontade
do menino, é capaz de ser a última
vontade dele, garrou a chorar. Era de partir o
coração. Ele foi e fez uma espingardinha
bem boa pra ele, com chumbo derretido na ponta
de trás, a coronha de madeira lisinha que
era mesmo um capricho, levou dias fazendo.
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