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Ariano
Suassuna
A força do arcaico
é justamente sua contínua presentificação
e, conseqüentemente, sua capacidade de se
eternizar. A arte genuinamente popular se baseia
nesse pensamento. Para transformar o local em
simbólico e universal, ARIANO SUASSUNA,
o decifrador de brasilidades, como já foi
chamado, e um dos principais preservadores da
cultura do país, alia os valores mais arraigados
de sua região a seu imenso arcabouço
erudito e teórico. Com uma escrita que
junta, a um só tempo, elementos do Simbolismo,
do Barroco e da literatura de cordel, esse ficcionista,
poeta, dramaturgo e pensador da cultura, transforma
o sertão no palco das questões humanas
de qualquer lugar do mundo. Ele foi o criador
do Movimento Armorial, que tem como projeto a
confluência simultânea de todas as
artes populares do Nordeste brasileiro, trabalhando
a favor da dignidade humana. Romance d’A Pedra
do Reino é considerado um dos melhores
do país, e a peça O Auto da Compadecida,
além de encenada diversas vezes por todo
o mundo, já recebeu três adaptações
cinematográficas.
OBRAS
Uma Mulher Vestida de Sol
(1948); Ode (1955); Fernando e Isaura (1956);
Auto da Compadecida (1957); O Casamento Suspeitoso
(1961); O Santo e a Porca (1964); A Pena e a Lei
(1971); Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe
do Sangue do Vai-e-Volta (1971); Farsa da Boa
Preguiça (1974); História d’O Rei
Degolado nas Caatingas do Sertão: ao Sol
da Onça Caetana (1977); Sonetos com Mote
Alheio (1980); Sonetos de Albano Cervonegro (1985);
A História de Amor de Romeu e Julieta (1997).
UM CALIBRE FORA EXTRAORDINÁRIO
“É preciso merecer
a graça da escrita. Não é
qualquer vida que gera obra deste calibre.” (Carlos
Drummond de Andrade, sobre A Pedra do Reino)
O ERUDITO ABARCANDO O POPULAR
“Ao proclamar a existência
do Movimento Armorial, nos anos 70, Ariano Suassuna
assume publicamente seu compromisso com a arte
popular e define a arte armorial na sua relação
com as literaturas da voz e do povo, fundamento
de sua poética.” (Idelette Muzart Fonseca
dos Santos, O Decifrador de Brasilidades)
Extrato da obra A Pedra do
Reino
- Vá de novo
ao "pai-dos-burros"! "Penetral"
é "a parte mais recôndita e
interior de um objeto". Mas, na minha Filosofia,
essa noção é ampliada, porque
além de abranger a quadra do deferido e
o rodopelo, o penetral abrange também o
faraute, através da subjunção
da relápsia! Mas, no momento em que se
fala friamente do penetral, tentando capturá-lo
em categorias de uma lógica sem gavionice
negro-tapuia, ele deixa de ser apreendido! Faça
apelo aos gaviônicos restos de sangue Negro
e Tapuia que você tem, Quaderna, e entenda
que o penetral "é o penetral",
que o penetral "é"! O côisico
coisica: os cavalos cavalam, as árvores
arvoram, os jumentos jumentam, as pedras pedram,
os móveis movelam, as cadeiras cadeiram,
e o faráutico, machendo e feminando, é
que consegue gentere farauticar! É assim
que o túdico tudica e que o penetral penetrala
– e esta, Quaderna, é a realidade fundamental!
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