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Utopia Brasilis
Michael Rootham
Prólogo
Deus estava criando o planeta Terra. Estava na parte mais específica do globo, das características geográficas, dos climas e fenômenos da natureza.
A certa altura o arcanjo Gabriel, que estava observando, apontou para a região que hoje é o Brasil e perguntou se ali no futuro seria o paraíso ou a terra prometida aos habitantes que apresentassem comportamento exemplar.
Indagado por Deus sobre o motivo de sua pergunta, o arcanjo explicou que nessa região Deus não havia colocado terremotos, vulcões, monções, tufões, ciclones, tsunamis, temperaturas extremas de -50°C a +50°C, desertos, geleiras ou qualquer outro tipo de catástrofe. A região tinha tudo de bom, temperaturas amenas, vegetação exuberante e farta, muita riqueza mineral, água com fartura.
Deus respondeu que ele aguardasse para ver as pessoas que iriam viver ali.
I – O povoamento
A arqueologia e a ciência estimam que o povoamento das Américas tenha começado a 15.000 anos atrás. Supõem que os primeiros habitantes vieram da Ásia atravessando o estreito de Bering, que separa a Rússia do Alasca, durante uma era glacial, quando o nível dos mares era mais baixo e permitiu a travessia a pé. A partir daí começaram a ocupar as três Américas.
Por enquanto, o registro do ancestral brasileiro mais antigo é de 11.500 anos. Luzia é o nome que foi dado às partes de um esqueleto de mulher, encontrado por um grupo de arqueólogos brasileiros e franceses, na gruta Lapa Vermelha IV no município de Pedro Leopoldo, região de Lagoa Santa em Minas Gerais, em 1975. A idade de Luzia só foi revelada mais tarde por um pesquisador da Universidade de S.Paulo, a partir dos avanços das ciências arqueológicas, quando também determinaram que ela teria morrido com a idade de 20 a 25 anos.
Quando os colonizadores portugueses chegaram há pouco mais de 500 anos, as estimativas eram de 1 a 10 milhões de habitantes indígenas, divididos num número incerto de sociedades ou tribos, e a existência de 1.300 línguas diferentes provenientes de três troncos lingüísticos principais. Eram sociedades nômades que se deslocavam na busca do alimento, pois apenas caçavam, pescavam e comiam o que a natureza lhes dava, não plantavam e desconheciam metais.
Essa população original hoje está reduzida a 400.000 habitantes e a maior causa da redução ao longo dos últimos 500 anos é biológica. Doenças hoje banais, como gripe, sarampo e coqueluche, e outras mais graves, como tuberculose e varíola, vitimaram, muitas vezes, sociedades indígenas inteiras, por não terem os índios imunidade natural a estes males. Inconscientemente, os colonizadores europeus usaram armas biológicas na ocupação do continente americano.
Nesta época o Brasil e todas as outras terras colonizadas pelos europeus em todas as partes do mundo, se tornaram simples depósitos de riquezas. Foi a época do extrativismo. Estas terras, a exemplo de várias outras, eram fornecedoras de metais e pedras preciosas que abasteciam a ganância dos dominadores da Europa, e madeiras nobres que supriam o desgaste das já dizimadas florestas do continente europeu. Os habitantes indígenas originais eram totalmente alheios à existência dos minérios e ao valor dado às pedras preciosas que para eles eram apenas decorativas.
A ocupação dos europeus aconteceu apenas para combater a concorrência com outros colonizadores da Europa. Como resultado disso, as primeiras cidades e edificações foram criadas para defender o território colonizado dos europeus concorrentes. Portanto, tinham geralmente localização estratégica nas baías e estuários navegáveis e as construções mais importantes eram fortes armados que visavam impedir o acesso dos invasores.
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