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REALIDADE
ORIGAMI: jornalismo e realidade
Ronelli Aragão
Ferreira
INTRODUÇÃO
Os estudos
realizados sob a forma deste projeto de pesquisa,
têm como finalidade primordial compreender a lógica
de produção o das notícias. Desvendar seu caráter
mítico no que diz respeito à verdade jornalística.
Aquela que até então, se entende como sendo a
pedra de toque do jornalismo, em tomo da qual
giram conceitos como objetividade, neutralidade e
imparcialidade. E como todo
conhecimento autêntico nasce de uma pergunta,
neste ponto de vista,
questiona-se: O que é a Verdade? O que estará
por traz dos critérios de
produção das notícias? Será que, como
jornalistas, não estamos colaborando com
a construção de uma realidade a partir do ponto
de vista do poder, baseados
justamente nestes critérios?
Não se garante, no
entanto, que ao término desta exposição, este
trabalho
contenha informações suficientes de maneira a
esclarecer completamente as
questões colocadas. Elas, especialmente a
primeira, são demasiadamente
complexas e admitem interpretações
diferenciadas. Sendo assim, apresenta-se
aqui esta visão, que é apenas uma possibilidade.
Para delimitar ao máximo
o tema, que é abrangente, utilizou-se o método
dedutivo. Primeiramente, para embasamento teórico,
foram estudados os
conceitos filosóficos de verdade ao longo da história.
Posteriormente, a aplicação
destes conceitos na vida em sociedade, bem como a
construção desta sociedade
a partir da comunicação. Também buscou-se onde,
como e porque nasceu a
comunicação, o surgimento da necessidade de
meios de comunicação social e sua
influência, os meios noticiosos e por fim, o
desvendar da lógica de produção das
notícias. Ao final chega-se a uma teoria, que tem
sua demonstração prática
averiguada a partir de trechos retirados de
jornais locais, os quais são analisados
de acordo com os fundamentos colocados em questão
nesta monografia. Esta
teoria defenderia a hipótese de que um fato
jornalístico seria, inevitavelmente, o
resultado de dois fatores fundamentais: os
aspectos individuais ao narrador (como
cultura, valores e fator psicológico) e os
aspectos externos ligados a ele (grupos
políticos e empresa para a qual trabalha.).
Atrelado a este contexto, o resultado
final, a matéria em si, seria apenas uma versão,
em meio a tantas outras. Contudo, inserida em uma
lógica social domina da pelo sistema capitalista,
como produto, esta versão seria vendida e
consumida como ‘a verdade dos fatos’. O
interesse em dar a ela o foro de objetividade,
ignorando os aspectos subjetivos já citados,
partiria de grandes grupos econômicos e políticos
que encontrariam nestas condições, um meio de
perpetuar suas ideologias, legitimando-as. Esta
maneira de revelar o mundo permitiria a sociedade,
subsistir em um estado de ignorância que
dissimularia assim sua verdadeira condição.
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