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Invenção
Caipira
Wilmar
Silva
Invenção
Caipira – Re-invenção da poesia
Invenção
Caipira é o novo livro de Wilmar Silva, este que
consta na Antologia Mineira do Século XX de Assis
Brasil, estréia na Virtual Book´s com este livro
onde o principal elemento é a invenção da
linguagem sem perder o lirismo que lhe é característico
como podemos ver neste Flauta Agreste I
do livro "cilada" qual cito
o poema:
esculpo
minha boca dentro de teus ouvidos
onde ninfas e duendes cometem o sonho
trilham o caminho da vertigem e vivem
à beira da estrada comendo verde poeira
as cores sobradas da última festa campestre
bichos e lendas no ermo dos seres
o olhar de ceres rompendo o teu abandono
cansada de tanto cuidar dos campos
dos cereais e do gado que se perde
Wilmar
Silva parece que estava insatisfeito esteticamente
com esta via do lirismo, e na busca de uma pedra
de toque que fizesse a não coagulação do
lirismo, que lhe abrisse a nova vereda como
artista, como fez Guimarães Rosa em seu Grande
Sertão Veredas (onde a fala do homem do sertão
se mistura a abstração das grandes reflexões
filosóficas do homem), Wilmar Silva seguiu os
passos deste ao fazer Invenção Caipira.
Em
Invenção Caipira, Wilmar Silva pui a linguagem,
e nos dá esta abstração para que a linguagem poética
não se perca na coagulação do lirismo do qual
cito o poema:
áspero
i trans|lúcido: ao ermo só a carp|ir i si
eu|corvo
dor|só|nu a fer|r|o|ar|menta erval al|rastra
igual sarg|asso seca|dura
vela| lume|lá i cipó|cá lâmina re|lume
terral|meu espinhaço
lavra|dio eu lavro|cotovia a|videira eu canto|via
meu p|rasto
imilcobracoral
lírica de paralelepípedo ao p|asseio
cromo i q açude ó! nevral-jia esta re-presa pá|mpulha
i cor|pó|ento a
passa|r|redo raro nesse atol| olho d’água cá|
o rio eu perco:
vis-a-vis|mar-fim até o serro mais céu|
de sos|laio arre|medo de bote
"enseada de u|ira-m|iris
A
poética de Wilmar Silva é assim de fala arisca
como vemos nesta Invenção Caipira, pois parece
querer num primeiro instante espantar o leitor que
com medo de tal estranheza, mas de acordo com
Fernando Fiorese em tese de doutorado Murilo Na
cidade, nos afirma que “Traduzir
a cena urbana em palavras significa operar sobre
arquétipos que remontam à fundação da cidade,
uma vez que a inscrição gráfica das leis, do
espaço e do tempo foi fundamental desde o
processo de sedentarização das sociedades agrícolas
originárias. Texto-lei, texto-calendário e
texto-arquitetura são manifestações da articulação
entre ato, palavra e registro, testemunhos da
consangüinidade entre cidade e escrita, tendo em
vista tanto a apropriação coletiva do mundo
exterior quanto a urdidura dos símbolos e mitos
que fundam e fundamentam a urbe. Dos mitogramas ao
alfabeto linear, a escrita enreda a vida citadina
no empenho de grafar na memória e no imaginário
coletivos a simbólica que permita manter a coesão
social estabelecida a partir da mitologia da
comunidade.” sendo assim que Wilmar Silva
trabalha ao inventar uma linguagem, estará
correlativamente inventando também uma sociedade
com mitogramas.
O
matuto leitor que deixe de ler esta Invenção
Caipira que re-inaugura visões sem esquecer deste
eu primevo e urbano estará esquecendo de si
mesmo, de que este um dia também foi linguagem
primeva trazendo consigo mesmo os mitogramas.
Eric
Ponty
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