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  Invenção Caipira
Wilmar Silva

VirtualBooks
Formato: e-book/ PDF
Código: bvbinvencao342
© VirtualBooks 2002,
Idioma: português
Disponibilidade: Grátis para você para baixar agora!
Software Grátis requerido: Adobe Acrobat Reader

Trechos do livro eletrônico

Invenção Caipira
Wilmar Silva

 

Invenção Caipira – Re-invenção da poesia

        Invenção Caipira é o novo livro de Wilmar Silva, este que consta na Antologia Mineira do Século XX de Assis Brasil, estréia na Virtual Book´s com este livro onde o principal elemento é a invenção da linguagem sem perder o lirismo que lhe é característico como podemos ver neste Flauta Agreste I  do livro "cilada" qual cito o poema:

esculpo minha boca dentro de teus ouvidos
   onde ninfas e duendes cometem o sonho

   trilham o caminho da vertigem e vivem
               à beira da estrada comendo verde poeira
                   as cores sobradas da última festa campestre
                       bichos e lendas no ermo dos seres

                     o olhar de ceres rompendo o teu abandono
                   cansada de tanto cuidar dos campos
                dos cereais e do gado que se perde

         Wilmar Silva parece que estava insatisfeito esteticamente com esta via do lirismo, e na busca de uma pedra de toque que fizesse a não coagulação do lirismo, que lhe abrisse a nova vereda como artista, como fez Guimarães Rosa em seu Grande Sertão Veredas (onde a fala do homem do sertão se mistura a abstração das grandes reflexões filosóficas do homem), Wilmar Silva seguiu os passos deste ao fazer Invenção Caipira.

         Em Invenção Caipira, Wilmar Silva pui a linguagem, e nos dá esta abstração para que a linguagem poética não se perca na coagulação do lirismo do qual cito o poema:

áspero i trans|lúcido: ao ermo só a carp|ir i si eu|corvo
dor|só|nu a fer|r|o|ar|menta erval al|rastra igual sarg|asso seca|dura
vela| lume|lá i cipó|cá lâmina re|lume terral|meu espinhaço
lavra|dio eu lavro|cotovia a|videira eu canto|via meu p|rasto
imilcobracoral
lírica de paralelepípedo ao p|asseio
cromo i q açude ó! nevral-jia esta re-presa pá|mpulha i cor|pó|ento a
passa|r|redo raro nesse atol| olho d’água cá| o rio eu perco:
vis-a-vis|mar-fim até o serro mais céu|
de sos|laio arre|medo de bote
"enseada de u|ira-m|iris

        A poética de Wilmar Silva é assim de fala arisca como vemos nesta Invenção Caipira, pois parece querer num primeiro instante espantar o leitor que com medo de tal estranheza, mas de acordo com Fernando Fiorese em tese de doutorado Murilo Na cidade, nos afirma que “Traduzir a cena urbana em palavras significa operar sobre arquétipos que remontam à fundação da cidade, uma vez que a inscrição gráfica das leis, do espaço e do tempo foi fundamental desde o processo de sedentarização das sociedades agrícolas originárias. Texto-lei, texto-calendário e texto-arquitetura são manifestações da articulação entre ato, palavra e registro, testemunhos da consangüinidade entre cidade e escrita, tendo em vista tanto a apropriação coletiva do mundo exterior quanto a urdidura dos símbolos e mitos que fundam e fundamentam a urbe. Dos mitogramas ao alfabeto linear, a escrita enreda a vida citadina no empenho de grafar na memória e no imaginário coletivos a simbólica que permita manter a coesão social estabelecida a partir da mitologia da comunidade.” sendo assim que Wilmar Silva trabalha ao inventar uma linguagem, estará correlativamente inventando também uma sociedade com mitogramas.

        O matuto leitor que deixe de ler esta Invenção Caipira que re-inaugura visões sem esquecer deste eu primevo e urbano estará esquecendo de si mesmo, de que este um dia também foi linguagem primeva trazendo consigo mesmo os mitogramas.

Eric Ponty

Invenção Caipira

|lusco-fusco|a|f
resta eu |à janelafrincha d’olhofrestado a|frecha
"miraessacasa"|eu me junco à|tapera de embira
eólico arco|íris|cor|çol só cri|cri|grilo!
mergulho ilhado nesse poço de sangue lá|
|cá dentro| o meu próprio cântaro|ferofeérico eu|imerso à carótida
palh:oça|oca cimo|cume píncaro|par|e|dardo di cipoal
ocalímpido desde|sempre renhido|à videira de amargura|
|poda de tora lá cafundó triângulo|a,cerne rola|rolinha re|
boca|r a|barro e|água teia|dro di gaia di bosque i sapé
r|anca|du brejaljia|e juriti

só oi|só
c antiga di paz|arinheiro longi ubre|u |eu as|sombro sou|
tucano nesse calvá|rio,fluxo sem afluente
q! ara,g di is|pinho a|ponta do dedo i este-língue i anta di azular
azul|agro a pássaropreto
eu ergo|mel|ro de elmo à|aurora mais triste
mais céu|virgem i verdume mais devas|só:
eu só fico olho|ouvido ele|meu pai |libido, h|álito messe sere|nó
lápislíngua d'istrela i b|errância di nov|ilha i boi égua i caval|gada
alonjura |urra me bugre e foge|escapa para dentro do |ímen íbrido
égua é ânima, eu|animalávido

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