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Dead Can Dance - Sibila Encantadora da Música
(considerações sobre spleen na arte pop)
Eric Ponty
A formação do Spleen Baudelariano
Meu
gato em busca de onde estar aconchegado
Agita inquieto o corpo flácido e asqueroso;
A alma de um velho poeta erra pelo telhado,
Com a lúgubre voz de um fantasma brumoso.
Spleen –
LXXV – Charles Baudelaire
Em 1981 surgia no cenário da música
mundial, um estranho conjunto australiano, de
estilo “gótico” que era “Dead can Dance”
ou em português a Morte Pode Dançar.
Segundo Bredan Perry: "o
significado por detrás do nome tem a ver com a
procura da vida inerente aos instrumentos
musicais, que por si só são objetos inanimados,
mortos".
A cantora e compositora
Lisa Gerrard, o guitarrista Brendan Perry e
do baterista Pieter
Bourke entre outros integrantes que
demonstram que morte tem a sibila estranha e bela.
São desta época a capa do álbum com a máscara
ritual da Nova Guiné que quase acabou por se
tornar num logotipo para a banda australiana.
Neste primeiro álbum já se podem notar os
primeiros elementos filosóficos que seriam
desenvolvidos nos álbuns posteriores.
A partir do segundo álbum
de influência claramente baudelariana que é Spleen
And Ideal que
nos remete a primeira parte de Flores do Mal.
O Spleen é um termo de origem inglesa que
a literatura francesa incorporou no século XVIII
para indicar uma sensação de fastio sem motivo.
Segundo o estudo do português José
Fernando Guimarães:“Será
que essa dor - nas palavras de Baudelaire,
melancolia, desespero, ennui,
spleen
- deriva do olhar do poeta ou, pelo contrário, é
intrínseca ao próprio tempo em que vive, em que
sente, em que pensa? Formulada assim, a questão
torna-se falaciosa (capaz de interpretações onde
pode predominar o psicologismo e/ou o historicismo)
- quando, para mais, qualquer olhar artístico
decorre, irremediavelmente, do seu tempo, é
o seu tempo.
Coloque-se, então, a questão de outra maneira:
será que tal presente foi capaz de marcar
dolorosamente o olhar de Baudelaire? A resposta é,
em toda a sua extensão, afirmativa. É-o, por um
lado, por causa da paixão pela sua mãe - uma
paixão dolorosa, como qualquer paixão, mas,
mesmo assim, constantemente espicaçada, reavivada
pela palavra poética. (4) É-o, por outro lado,
por causa de Poe - nele Baudelaire revê a sua
biografia, pelo menos a axial (a família, sempre
a família, com o cortejo de um pai ausente, da mãe
desejada e da(s) amante(s), dolorosa teia capaz da
mais feroz melancolia); tal como a partir dos
textos de Poe (sobre a sua vida e obra escreveu um
longo ensaio, para além de ter traduzido os seus
contos), faz colagens, desidentifica-os para deles
se apropriar, para os voltar a marcar, agora com a
sua assinatura.”
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