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Dead Can Dance - Sibila Encantadora da Música (considerações sobre spleen na arte pop)
Eric Ponty
VirtualBooks
Formato: e-book/ PDF
Código: VBOdeadcandance987
© VirtualBooks 2003,
Idioma: português

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Trechos do livro eletrônico

Dead Can Dance - Sibila Encantadora da Música (considerações sobre spleen na arte pop)
Eric Ponty


A formação do Spleen Baudelariano

Meu gato em busca de onde estar aconchegado
Agita inquieto o corpo flácido e asqueroso;
A alma de um velho poeta erra pelo telhado,
Com a lúgubre voz de um fantasma brumoso.

Spleen – LXXV – Charles Baudelaire

     Em 1981 surgia no cenário da música mundial, um estranho conjunto australiano, de estilo “gótico” que era “Dead can Dance” ou em português a Morte Pode Dançar.

     Segundo Bredan Perry: "o significado por detrás do nome tem a ver com a procura da vida inerente aos instrumentos musicais, que por si só são objetos inanimados, mortos".

     A cantora e compositora Lisa Gerrard, o guitarrista Brendan Perry e do baterista Pieter Bourke entre outros integrantes que demonstram que morte tem a sibila estranha e bela.

     São desta época a capa do álbum com a máscara ritual da Nova Guiné que quase acabou por se tornar num logotipo para a banda australiana. Neste primeiro álbum já se podem notar os primeiros elementos filosóficos que seriam desenvolvidos nos álbuns posteriores.

     A partir do segundo álbum de influência claramente baudelariana que é Spleen And Ideal que nos remete a primeira parte de Flores do Mal.

     O Spleen é um termo de origem inglesa que a literatura francesa incorporou no século XVIII para indicar uma sensação de fastio sem motivo.

     Segundo o estudo do português José Fernando Guimarães:“Será que essa dor - nas palavras de Baudelaire, melancolia, desespero, ennui, spleen - deriva do olhar do poeta ou, pelo contrário, é intrínseca ao próprio tempo em que vive, em que sente, em que pensa? Formulada assim, a questão torna-se falaciosa (capaz de interpretações onde pode predominar o psicologismo e/ou o historicismo) - quando, para mais, qualquer olhar artístico decorre, irremediavelmente, do seu tempo, é o seu tempo. Coloque-se, então, a questão de outra maneira: será que tal presente foi capaz de marcar dolorosamente o olhar de Baudelaire? A resposta é, em toda a sua extensão, afirmativa. É-o, por um lado, por causa da paixão pela sua mãe - uma paixão dolorosa, como qualquer paixão, mas, mesmo assim, constantemente espicaçada, reavivada pela palavra poética. (4) É-o, por outro lado, por causa de Poe - nele Baudelaire revê a sua biografia, pelo menos a axial (a família, sempre a família, com o cortejo de um pai ausente, da mãe desejada e da(s) amante(s), dolorosa teia capaz da mais feroz melancolia); tal como a partir dos textos de Poe (sobre a sua vida e obra escreveu um longo ensaio, para além de ter traduzido os seus contos), faz colagens, desidentifica-os para deles se apropriar, para os voltar a marcar, agora com a sua assinatura.”

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