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A Caixa de Pandora
Alexandre Santos
Lobão
Pela primeira vez a tarefa
de apresentar um texto me fez devorar os originais
de um fôlego. Atribuir isto à pressa
do editor em publicá-lo seria desmerecer
o autor. O mérito deve-se a este, que como
um diretor de cinema consegue prender o espectador
até o final da fita. A coerência
da narrativa faz do estreante Lobão, autor
de uma obra madura, nada devendo a outros autores
do gênero.
A Caixa de Pandora abre-se
para a realidade fantástica, gênero
de poucos adeptos em Brasília. Alexandre
ao mesmo tempo brinca e dá tratamento sério,
com estilo e velocidade de quadrinho e desenho
animado, onde ninguém se machuca de verdade,
e nem morre pra valer. O autor faz o que quer:
viaja entre o realismo fantástico e o onírico.
Por falar nisso, “Sonhos” parece real. Não
há como saber se o ficcionista entrou n“A
Casa”, para revelar segredos de Antônio
e Henrique ou se realmente Lobão sonhou
tudo aquilo.
Mágico! Assim se expressará
quem ler A Caixa de Pandora. Parece filme, parece
gibi... é tudo ao mesmo tempo. O contador
de histórias, com talento, diversifica
temas e utiliza o recurso do diário, com
isso somos levados a acreditar que os fatos realmente
estão acontecendo ou aconteceram. Mas é
impossível descobrir onde começa
a fantasia. Embora não seja contemporâneo
das grandes guerras, pois Alexandre nasceu na
segunda metade deste século, fala como
um soldado, ou um viajante intergalático.
No conto-título aparece como um personagem
apaixonado por Louise Brooks, diva do cinema mudo,
e narra em detalhes seus encontros com a atriz.
Um espiritualista identificará
nos temas viagens astrais e dirá que seus
relatos confirmam isso; algum apaixonado dirá
que o livro está recheado de histórias
de amor. Não afirmo nem desminto, o livro
deve ser descoberto e identificar-se com o leitor
e transformar-se no que este pretender.
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