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nerudacp.jpg (3980 bytes)VINTE POEMAS DE AMOR E UMA CANÇÃO DESESPERADA

Pablo Neruda

Tradução e ensaio de Eric Ponty

VirtualBooks
Formato: e-book/ PDF
Código: naVPA00006
© VirtualBooks 2000,
Idioma: Português


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Autor 

ericponty.jpg (8746 bytes)Eric Ponty é poeta, escritor e ensaísta. Nasceu em abril de 1968. É menbro da Academia de Letras Sanjoanense na cadeira do Poeta José Severiano de Rezende um dos precursores do Modernismo.

Foi elogiado pelos poetas Ferreira Gullar, Ivo Barroso, Ivan Junqueira, Augusto Massi, entre outros pelo seu poema ainda inédito "Pompas de Abril".

Lançou os seguintes livros de poesia "Homo-Imagens" (esgotado), "Livro Sobre Tudo" (Elogiado pelo Poeta Ferreira Gullar), traduziu "O Cemitério Marinho" de Paul Valéry, e "O Anjo de David" este de literatura infanto-juvenil e os livros de ensaios "Breviário do Tempo" e "A Contemplação do belo Adormecido" todos publicados pela A Voz do Lenheiro Editora. O SACERDÓCIO DA POESIA, Uma introdução à poesia de José Severiano de Resende.

Integra o projeto "A Voz do Poeta" que consiste na gravação de um Cd individual onde se registra a leitura pessoal de seus poemas. Com coordenação de Ivo Barroso  (Trad. Do Pêndulo de Focault e Razão e Sensibilidade).

É colaborador da Dimensão Revista Internacional de Poesia e da revista Xilo e Orion – Revista de Poesia do Mundo de Língua Portuguesa. Poesia para Tados. Colabora nas revistas On-line Agulha e Tanto entre outras.  Está incluído na Antologia Mineira do Século XX do prof. e crítico Assis Brasil editado pela Imago (RJ) em 1998 que já se encontra esgotado.

"Com toda a sua atividade performática e multimidia, Eric Ponty estreou com livro de poesia, Homo-imagens, de 1996, para no ano seguinte lançar Livro sobre tudo, talvez uma "resposta " ao Livro sobre Nada de Manoel de Barros. os livros de poesia inéditos são vários, em destaque Melancolia de uma tarde de domingo e Inautagónico. Do primeiro, damos uma amostra nesta Antologia.

Como muitos poetas de sua geração, Eric Ponty se diz devedor dos movimentos poéticos das décadas de 60/70, mas com a referência da tradição modernista de um Manuel Bandeira, e mais Murilo Mendes e Dante Milano.

Coroando a sua performance literária, pelo menos na sua cidade natal, Eric Ponty eleito membro da Academia de Letras de São João del-Rei, cadeira cujo patrono é o poeta José Severiano de Resende."

A POESIA MINEIRA NO SÉCULO XX - ORGANIZAÇÃO E NOTAS ASSIS BRASIL - Coleção Poesia Brasileira - Imago Rio de Janeiro 1998 – Brasil

Para corresponder com Eric Ponty escreva: aldelrei@mgconecta.com.br

 

 

 

 

Trechos de


VINTE POEMAS DE AMOR E UMA CANÇÃO DESESPERADA

Pablo Neruda

TRADUÇÃO E ENSAIO: Eric Ponty

 
Poema 1
Corpo de mulher, brancas colinas, brancas coxas,
te parecem ao mundo em tua atitude de entrega.
O meu corpo de campônio selvagem te escava
e faz saltar o filho do fundo desta terra.
Fui só como um túnel. De mim foram-se os pássaros
e em mim a noite entrava com sua invasão poderosa.
Para sobrevier-me te forjei como uma arma,
como uma flecha em meu arco, como uma pedra em
minha funda.
Porém chega a hora da vingança, e te amo.
Corpo de pele e de musgo, de ávido leite e firme.
Ah os vasos do peito! Ah os olhos de ausência!
Ah as rosas do púbis! Ah tua voz lenta e triste!
Corpo de minha mulher, continuará em tua graça.
Minha sede, minha ânsia sem limites, meu caminho
indeciso!
escuras rugas de onde a sede eterna segue,
e segue a fatiga, e esta dor infinita.
 
Poema 2
Em sua chama mortal a luz te envolve.
Absorta, pálida dolente, assim localizada
contra as velhas hélices do crepúsculo
que em torno a ti dão voltas.
Silenciosa, minha amiga,
solidão do solitário desta hora das mortes
e cheia das vidas do fogo,
pura herdeira do dia destruído.
Do sol rui um racimo em teu vestido escuro.
Da noite das grandes raízes
crescem subitamente de tua alma,
e do exterior regressam as coisas em ti ocultas.
De modo que um povo pálido e azul
de ti recém nascido se alimenta.
Oh grandiosa e fecunda e magnética escrava
que do círculo que em negro e doirado chega:
erguida, trata e logra uma criação tão viva
que sucumbem suas flores, é cheia de tristeza.
 
 
 
 
Poema 3
Ah vastidão de pinheiros, rumor das ondas quebrando,
lento jogo das luzes, solitária cabana
crepúsculo abatendo-se em teus olhos, boneca,
caramujo terrestre, em ti a terra canta!
Em ti os rios cantam e minha alma se perde neles
como tu o desejas e fazia para donde tu o querias.
Marca-me em teu caminho meu arco de esperança
e soltarei em teu delírio meu disparo de flechas.
Em torno de mim estou vendo tua cintura de nevoa.
e teu silêncio me acusa minhas horas perseguidas,
e tu és como teus braços de pedra transparente
donde meus beijos perdem e minha úmida ânsia abriga.
Ah tua voz misteriosa que o amor tinge e dobra
no entardecer ressonante e moribundo!
Assim nas horas profundas sobre os campos tenho visto
dobrar-se as espigas em a boca do vento.
 
 
 
Poema 4
Eis que manha chega de tempestade
em um coração do verão.
Como alvos lenços de adeus passeiam as nuvens,
e o vento os sacode com suas mãos andarilhas.
Incontável coração do vento
batendo sobre nosso silencio enamorado.
Zumbindo entre as árvores, orquestrais e divinas,
como uma língua cheia de guerras e de cantos.
Vento que leva num rápido surrupio a folhagem
e desvia as flechas latentes dos pássaros.
Vento que a derruba em onda sem espumas
e sustâncias sem peso, e fogos inclinados.
Se irromper e se submerge seu volume de beijos
combatido na porta do vento de verão.

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