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gnocp.JPG (11336 bytes)Os GNOMOS
Ivan Antunes Martins
VirtualBooks
Formato: e-book/ PDF
Código: bvbosgn0003
© VirtualBooks 2000,
Idioma: português


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Sobre o Autor e sua obra

 

Ivan Antunes Martins

Nascido em Porto Alegre, em 26 de março de 1931, apesar disso é um novo autor. Formado em Direito em 1962 e professor da UFRGS, desde 1964, escreveu diversos artigos sobre temas jurídicos. Agora, aposentado da Universidade, se dedica a escrever ficção.

Além de Terapia de Cais, já concluíu:
Outono Para Confundir (editado pela Bookweb),
Nocturne in Eb Mayor,
Os Indefesos,
Os Olhos de Lúcia,
Um certo Professor de Penal,
O Condomínio
e outros, além de mais de uma dezena de contos.

Para corresponder com Ivan Antunes Martins escreva: ivanmar@terra.com.br

 

 

 

 

Trechos de

Os GNOMOS
Ivan Antunes Martins
 

Acreditar em rosas é
o que as faz florescerem

ANATOLE FRANCE

 

estavam cerca de 60 quilômetros de Canela. Os dois, no seu fuquinha cor de caramelo. Riam, contavam piadas e se divertiam durante a viagem. Eram dois rapazes com destino à pequena cidade da serra gaúcha para trabalharem no "Sonho de Natal". Quem os visse não descobriria que eram dois gnomos! Sua aparência era a de dois homens comuns. Assim costumavam andar quando de sua permanência na Terra. Não queriam escândalos, Imprensa e outras manifestações de surpresa dos habitantes ignorantes desse mundinho incrédulo. Fossem eles revelarem suas verdadeiras identidades e estavam ferrados! Talvez até fossem parar no xilindró. Por isso mesmo guardavam a fisionomia e o corpo de jovens bonitinhos, filhinhos de papai rico. Até que, no que se referia ao comportamento, não precisavam fingir nada pois tinham o mesmo espírito malandro e divertido. Aquele espírito, que têm os jovens, sempre prontos para sacanear alguém, só para rirem da cara da vítima. Os gnomos são assim.

E assim rodavam pela estrada que, num dia útil de semana não tinha muito movimento. Foi quando deram com um homem sentado numa pedra à beira da rodovia. Tinha aparência humilde dos colonos da região e parecia estar caminhando há muito tempo. Cléopas, um dos gnomos falou para o outro: "Vamos dar carona para esse colono e nos divertirmos bastante até chegarmos?" O outro concordou de imediato.

O homem agradeceu a carona oferecida e embarcou logo. Realmente estava cansado. Na verdade tinha caminhado bastante e ainda faltavam sessenta quilômetro para chegarem a Canela, embora ele devesse seguir adiante. "Não importa, até Canela já me ajuda muito. Lá eu pretendo tomar uma condução". E acomodou-se no banco traseiro. "Mas não corram muito, advertiu."

- "Ora, não se preocupe. Esse fuca é uma carroça! Estamos acostumados a dirigir trenós, puxados por renas através das núvens..." - disse Cléopas, muito seriamente, olhando para ver a cara do velho.

O colono sorriu e não disse nada. A viagem prosseguiu. De repente ele perguntou: "Vocês não têm nada para se comer? Estou com uma fome danada!" Ao que Cléopas respondeu: "Temos sim mas não creio que vá gostar do que costumamos comer." E passou para o colono uma cestinha de vime, coberta com um guardanapo vermelho-xadrez. Ele afastou o guardanapo e olhou com uma cara de espanto. "Mas isso são flores! Vocês costumam comer isso?" O que estava na direção deu uma risada e Cléopas continuou: "Claro, o senhor não sabe que os homens estão descobrindo agora que as flores são produtos excelentes para alimentação e também para curar as doenças? Já ouviu falar dos Florais de Back?" O colono sorriu amarelo e começou a mastigar pétalas de rosas, margaridas, girassóis e outras. Havia uma grande variedade na cestinha. Cléopas o ajudou comendo também e passando algumas para seu companheiro.

- "Parece que não conseguimos apavorar muito o cara", segredou Cléopas para o motorista. Foi quando o motor do carro começou a tossir e, aos poucos, foi parando. O que estava na direção alardeou: "Acabou a gasolina! Esquecemos de encher o tanque desta droga!"

- "Não esquenta!", disse Cléopas,"Olha ali, junto aquela rocha, há uma vertente de água purinha. O senhor faça o favor de me alcançar um garrafão de vinho vazio que tem aí atrás do banco."

Cléopas voltou com um garrafão cheio d‘água. O outro abriu o capô e ele entornou a água no tanque de gasolina. Ficou olhando a cara do colono enquanto concluía a operação."Pronto. Podemos ir adiante, minha gente!" O motor foi acionado e o fuca saíu rodando normalmente.

*

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