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A Física de Aristóteles, o Almagesto de
Ptolomeu, os Principia e a Óptica de Newton, a Eletricidade de Franklin, a Química de
Lavoisier e a Geologia de Lyell - esses e muitos outros trabalhos serviram, por algum tempo,
para definir implicitamente os problemas e os métodos legítimos de um campo de pesquisa
para as gerações posteriores e praticantes da ciência. Puderam fazer isso porque
partilhavam duas características essenciais. Suas realizações foram suficientemente sem
precedentes para atrair um grupo duradouro de partidários, afastando-os de outras formas de
atividades científicas dissimilares. Simultaneamente, suas realizações eram
suficientemente abertas para deixar toda espécie de problemas para serem resolvidos pelo
grupo redefinindo de praticantes da ciência. Daqui por diante deverei referir-me às
realizações que partilham essas duas características como "paradigmas", um
termo estreitamente relacionado com a ciência normal. (1)
Temos acima uma das definições de Kuhn para o paradigma.
Margareth Masterman encontrou 21 delas no livro A Estrutura das Revoluções
Científicas. Kuhn define paradigmas como: 1) uma realização científica
universalmente reconhecida; 2) como mito; 3) como filosofia, ou constelação de
perguntas, 4) como manual, ou obra clássica (como vimos na citação acima); 5) como toda
uma tradição e, em certo sentido, um modelo; 6) como realização científica; 7) como
analogia; 8) como especulação metafísica bem sucedida; 9) como dispositivo aceito na
lei comum; 10) como fonte de instrumentos; 11) como ilustração normal; 12) como
expediente, ou tipo de instrumentos; 13) como um baralho de cartas anômalo; 14) como
fábrica de máquinas-ferramentas; 15) como figura de gestalt que pode ser vista de duas
maneiras; 16) como um conjunto de instituições políticas; 17) como "modelo"
aplicado à quase metafísica; 18) como um princípio organizador capaz de governar a
própria percepção; 19) como ponto de vista epistemológico geral; 20) como um modo de
ver; 21) como algo que define ampla extensão de realidade. (2) |
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- Notas
- (1)MASTERMAN, Margareth. LAKATOS, Inre & MUSGRAVE, Alan.
A Crítica e o Desenvolvimento do Conhecimento. São Paulo, Cultrix, Edusp, 1979
(2) Ibid, p. 30.
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