Um
Conto de Natal
Guy de Maupassant
O Dr. Bonenfant buscava na
memória, repetindo a meia voz: "Uma
recordação de Natal?... Uma recordação
de Natal?. . . "
E, de repente, exclamou:
- Sim! Tenho uma! Aliás,
muito esquisita! É uma história
verdadeiramente fantástica. Assisti a um
milagre! Sim, minhas senhoras, um milagre na noite
de Natal. Decerto se espantam de me ouvirem falar
assim, eu que não creio absolutamente em
nada. E, todavia, vi um milagre! Eu o vi com estes
meus próprios olhos!
Se fiquei muito surpreendido?
Não! Se não acredito nas suas crenças,
acredito na fé, e sei que ela transporta
montanhas. Poderia citar muitos exemplos, mas
isso lhes causaria indignação e
eu me arriscaria a atenuar o efeito da minha história.
Confessarei primeiro que,
se não fiquei convencido e convertido pelo
que vi, fiquei pelo menos bastante impressionado,
e cuidarei de lhes contar o caso singelamente,
como se tivesse a credulidade de um campônio.
Eu era então médico
rural e morava no burgo de Rolleville, em plena
Normandia.
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