PLANTAS QUE CURAM, HUGO CARAVACA foi retirada após recebermos o e-mail
abaixo, muito esclarecedor do Dr. Anderson de Carvalho Soares, Analista Ambiental do IBAMA:
Um "sério"equívoco!
Lendo uma de suas publicações, mais precisamente o livro intitulado PLANTAS QUE CURAM, escrito por HUGO DE CARAVANA, não pude deixar de observar que o autor veicula uma informação que há décadas o Instituto Butantã e a saúde pública lutam para tirar de circulação, qual seja (transcrevo in verbis):
"Cobra -
Antes de mais nada, amarre um pano antes e depois do
local da picada para que o veneno não se espalhe pela
corpo. Em seguida, passe querosene sobre a região atingida e
faça um chá de alho bem forte para beber.
Depois, faça um cataplasma (ver Preparação de
Medicamentos) com sementes de mostarda, alho e coloque
sobre a picada. Procure um médico o mais rápido possível."
Apesar de esta informação parecer correta, ela é responsável por inúmeras mortes e incontáveis amputações de membros que poderiam simplesmente ter ficado com seqüelas mínimas ou nenhuma. Explico: No Brasil, a maioria dos acidentes com cobras (mais de 90% dos casos) são com animais da família das Jararacas (Jararaca, Jararacuçu, Jaracuçu, Urutu, etc...), cujo veneno, do grupo botrópico, tem ação "putrefativa" e anticoagulante, o que resulta, acaso aplicado a receita acima citada (o torniquete) numa situação que comprometimento dos tecidos locais, que, na melhor das hipóteses leva a já mencionada amputação. Isto ainda levando-se em consideração que estes acidentes DIFICILMENTE RESULTAM EM MORTE MESMO QDO NÃO TRATADOS.
O uso do torniquete somente se aplica a acidentes com animais da família das cascavéis (menos de 10% dos casos), cujo veneno do grupo crotálico, tem ação no sistema nervoso central e leva a morte por asfixia resultante da paralisia do diafragma. Porém o uso do torniquete deve-se ater a um controle severo de 10 minutos apertado e 1 minuto frouxo para evitar, como já disse, a perda do membro (fato completamente ignorado pelo autor). Assim, no afã de ajudar, o autor corre o risco de se tornar uma agravante ou talvez até mesmo a morte de uma pessoa.
Só para constar, a única recomendação divulgada pelos órgão de saúde nestes casos é, PEGUE A PESSOA E PROCURE AJUDA MÉDICA O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL, agora imaginem se além da recomendação do autor de fazer o torniquete, a pessoa ainda for fazer chazinhos e emplastos antes de procurar ajuda.
Há ainda outros graves erros nas prescrições do autor ao tratamento de outros tipos de acidentes com animais peçonhentos, porém de caráter bem menos grave. Assim, recomendo que se vcs tiverem acesso ao mencionado autor, que entrem em contato com o mesmo para que este faça as devidas retificações na obra. Isto porque eu mesmo não consegui encontrar um meio de fazer contato.
Atenciosamente
Anderson de Carvalho Soares
Analista Ambiental do IBAMA
PS: Só como curiosidade, o uso do torniquete foi difundido no Brasil pelos filmes Americanos, onde a maioria dos acidentes são com cascavéis, muito ao contrário do Brasil.
O
referido livro ficará fora de circulação até
que o autor faça as correções necessárias.
Os
Editores
|