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Chalaça-Favorito do Império Assis Cintra Francisco Gomes da Silva, que morreu
como conselheiro do Império e Conde de Ourem, foi
uma das interessantes figuras que viveram nas intrigas
palacianas da Corte de D. João VI e Pedro I.
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Trechos
do livro eletrônico
O SUPLÍCIO DE UMA MULHER
Emile de Gerardin &
Alexandre Dumas Filho
Tradução de Machado de Assis
Drama em três atos
PERSONAGENS
HENRIQUE DUMONT - banqueiro
JOÃO ALVAREZ - sócio de Dumont
MATILDE - mulher de Dumont
JOANA - filha de Matilde
A SRA. LARCEY
UM CRIADO
Paris - 1855
ATO PRIMEIRO
Uma sala
CENA I
DUMONT, UM CRIADO
DUMONT (entrando, ao criado) - Diga à minha senhora que eu já voltei. Onde está minha filha?
CRIADO - A menina está brincando na galeria.
DUMONT - Diga-lhe que venha aqui.
CRIADO - Ei-la aí. (Sai).
CENA II
DUMONT, ALVAREZ
JOANA - Que trazes aqui, meu paizinho?
DUMONT - Que dia é hoje?
JOANA - Hoje é sábado.
DUMONT - E amanhã!
JOANA - Domingo.
DUMONT - Mas de quem é o dia amanhã!
JOANA - É o do meu santo.
DUMONT - É o de todas as meninas que se chamam Joana, e todos os que se chamam João.
JOANA - Como meu padrinho.
DUMONT - Pois bem! Teu pai, a quem não esquecem datas, na sua qualidade de banqueiro, lembrou-se do dia 27 de dezembro, e foi comprar umas tetéias para a sua filha, a quem faz respeitosamente os seus cumprimentos.
JOANA - Hoje!
DUMONT - Hoje.
JOANA - De véspera!
DUMONT - Tal qual.
JOANA - Mas por que de véspera e não no dia!
DUMONT - Porque é uso.
JOANA - E por que é uso!
DUMONT - Oh! perguntas muito! Onde iriam parar os homens se tivessem metade da lógica das crianças!
JOANA - Não sabes por que é!
DUMONT - Minha filha, tu hás de achar no mundo uma porção de usos deste gênero, cuja explicação não deves pedir, porque ninguém ta poderá dar. Eu de mim creio que este uso foi inventado por algum pai que tinha ânsia de presentear a filha, e a quem os outros pais imitaram.
JOANA - É uma boneca que me trazes?
DUMONT - Sim.
JOANA - Oh! como é bonita, papai, como é bonita! Parece-se com a senhora Larcey. E mais bonita do que ela.
DUMONT - Pudera! Esta não fala!
JOANA - Deixa dar-te um beijo!
DUMONT - Estás contente!
JOANA - Estou, meu paizinho.
DUMONT - Eu sou o primeiro, não!
JOANA - Primeiro que!
DUMONT - Que te faz hoje um mimo.
JOANA - É sim.
DUMONT - Alvarez, teu padrinho, ainda não veio!
JOANA - Não. Que foi que deste aos meus pobres!
DUMONT - Toma, dá-lhes tu mesma.
JOANA - Uma, duas, três... cinco moedas de ouro. Então, já não terão fome.
DUMONT - Hoje.
JOANA - Mas amanhã?
DUMONT - Que se há de fazer? A mesma coisa.
JOANA - Dás-me dinheiro todos os dias para eles?
DUMONT - Nos dias em que não fores travessa.
JOANA - Pois não serei travessa... Vou dar de comer à minha boneca.