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MISSA
DOS MORTOS
Anatole France
Eis o que o sacristão
da igreja de Santa Eulália, em Neuville-d'Aumont,
me contou debaixo da latada do Cavalo-Branco,
numa bela noite de verão, bebendo uma garrafa
de velho vinho, à saúde de um morto
muito abastado, que ele havia enterrado honrosamente
naquela manhã mesma, sob um tecido cheio
de belas lágrimas de prata.
"Meu finado e pobre
pai (quem fala é o sacristão) foi,
em vida, coveiro. Era de humor agradável,
e isso sem dúvida decorria de sua profissão,
porque se tem reparado que as pessoas que trabalham
nos cemitérios possuem espírito
jovial.
A morte não os atemoriza
absolutamente; jamais se preocupam com ela. Eu,
que lhe estou falando, senhor, penetro num cemitério,
à noite, tão serenamente quanto
no caramanchão do Cavalo-Branco. E se,
por acaso, encontro um espectro, não me
inquieto absolutamente com isso, porque reflito
que ele pode perfeitamente ir cuidar de seus negócios,
da mesma forma que eu dos meus.
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