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Baltasar
Anatole France
I
Nesse tempo, Baltasar, que
os gregos chamaram Sarraceno, reinava na Etiópia.
Negro, mas belo de rosto, era de espírito
simples e de coração generoso. Durante
o terceiro ano de seu reinado, que era o vigésimo
segundo de sua idade, saiu para visitar Balkis,
rainha de Sabá. Acompanhavam-no o mago
Sembobitis e o eunuco Menkera. Seguiam-no setenta
e cinco camelos, carregados de cinamomo, mirra,
ouro em pó e dentes de elefante. No decorrer
da caminhada, Sembobitis ensinava-lhe não
só a influência dos planetas como
também as virtudes das pedras e Menkera
cantava-lhe canções litúrgicas;
mas ele não os ouvia e distraía-se
a olhar os pequenos chacais sentados, de orelhas
em pé, contra o horizonte de areia.
Enfim, após doze dias
de viagem, Baltasar e seus companheiros sentiram
um perfume de rosas, e, dentro em pouco, avistaram
os jardins que contornavam a cidade de Sabá.
Nesse lugar, iam encontrar
moçoilas que dançavam debaixo de
romeiras em flor.
- A dança é
uma prece, disse o mago Sembobitis.
- Vender-se-iam por
elevado preço essas mulheres, disse o eunuco
Menkera.
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