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Sobre os textos

jarhgarcia.JPG (7436 bytes)Os textos da COLEÇÃO RIDENDO CASTIGAT MORES foram  gentilmente cedido por Nélson Jahr Garcia, que nasceu em São Paulo, formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Professor da USP, e de outras Faculdades Particulares. Fez mestrado e doutoramento em Ciências da Comunicação na ECA-USP. Escreve livros, artigos. É webdesigner e ebook-publisher.

 
OTELO
WILLIAM SHAKESPEARE
VirtualBooks
Formato:e-book/ PDF
Código:SHAK00006
© Ridendo Castigat Mores, 2000
Disponibilidade: Grátis para você para baixar agora!
Software Grátis requerido: Adobe Acrobat Reader

Trechos do livro eletrônico

OTELO
WILLIAM SHAKESPEARE

Personagens
O Doge de Veneza.
BRABÂNCIO, senador. Outros senadores.
GRACIANO, irmão de Brabâncio.
LUDOVICO, parente de Brabâncio.
OTELO, mouro nobre, a serviço da República de Veneza.
CÁSSIO, seu tenente.
IAGO, seu alferes.
RODRIGO, fidalgo veneziano.
MONTANO, governador de Chipre antes de Otelo.
BOBO, criado de Otelo.
DESDÊMONA, filha de Brabâncio e esposa de Otelo.
EMÍLIA, esposa de Iago.
BIANCA, amante de Cássio.
Marinheiro, oficiais, gentis-homens, mensageiros, músicos, arautos, criados.

ATO I

Cena I

Veneza. Uma rua. Entram Rodrigo e Iago.

RODRIGO - Cala-te! Não me fales. Aborrece-me demais verificar que justamente tu, Iago, que dispunhas à vontade de minha bolsa, como se teus fossem seus cordões, conhecesses isso tudo...

IAGO - Mas escuta-me, ao menos! Se eu já sonhei alguma vez com isso, podes abominar-me.

RODRIGO - Dito me havias que lhe tinhas ódio.

IAGO - Despreza-me, se não for assim mesmo. Três pessoas de grande influência aqui vieram falar-lhe, chapéu na mão, com humildade, para que fizesse de mim o seu tenente. E por minha fé de homem, tenho plena consciência do que valho; não mereço posto menor do que esse. Ele, no entanto, consultando somente o orgulho e os próprios interesses, furtou-se com fraseado bombástico, recheado só de epítetos de guerra. Em conclusão: não entendeu aos meus intercessores. "Pois já escolhi meu oficial", lhes disse. E quem é ele? Ora, por minha fé, um matemático, um tal Micael Cássio, um florentino, um tipo quase pelo próprio inferno fadado a ser uma mulher bonita, que nunca comandou nenhum soldado um campo de batalha e que conhece tanto de guerra como uma fiandeira; erudição de livros, simplesmente, sobre o que podem dissertar com a mesma proficiência que a dele os nossos cônsules togados; palavrório sem sentido, carecente de prática: eis sua arte. No entanto, meu senhor, foi o escolhido; ao passo que eu, que aos próprios olhos dele provas cabais já dera em Chipre e Rodes e em muitos outros pontos habitados por cristãos e pagãos, terei de, agora, ficar a sota-vento e calmaria, só por causa do dever-e-haver de um simples calculista, que - oh tempos! - vai tornar-se tenente, enquanto que eu - Deus me perdoe! - continuarei sendo do Mouro o alferes.

RODRIGO - Pelo céu, preferira ficar sendo carrasco dele.

IAGO - Já não há remédio. É a maldição do ofício: as promoções se obtêm só por pedidos e amizades, não pelos velhos meios em que herdava sempre o segundo o posto do primeiro. Ora, senhor, ajuizai vós mesmos se razões tenho para amar o Mouro.

RODRIGO - Assim, eu não ficara sob suas ordens.

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