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POEMAS
Fagundes Varella
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Fagundes Varella
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POEMAS
Fagundes Varella


ÍNDICE

DE VOZES DA AMÉRICA

Napoleão
Soneto
Ilusão
Deixa-me!
O Vizir
Não te Esqueças de Mim!
Soneto
Elegia
Tristeza
O Exilado
Aurora
As Selvas
À Lucília
Childe-Harold
O Sabiá
Estâncias
O Mar

DE VOZES DA AMÉRICA


NAPOLEÃO
Sobre uma ilha isolada,
Por negros mares banhada,
Vive uma sombra exilada,
De prantos lavando o chão;
E esta sombra dolorida,
No frio manto envolvida,
Repete com voz sumida:
- Eu inda sou Napoleão.

Tremem convulsas as plagas
Bravias lutam as vagas,
Solta o vento horríveis pragas
Nos cendais da escuridão;
Mas nas torvas penedias
Entre fundas agonias,
Ela diz às ventanias:
- Eu inda sou Napoleão.

- E serei! do céu da glória,
Nem dos bronzes da memória,
Nem das páginas da história
Meus feitos se apagarão;
Passe a noite e as tempestades,
Venham remotas idades,
Caiam povos e cidades,
- Sempre serei Napoleão.

Da coluna de Vendôme,
O bronze, o tempo consome,
Porém não apaga o nome
Que tem por bronze a amplidão.
Apesar de infausto dia,
Da infâmia que tripudia,
Dos bretões a cobardia,
- Sempre serei Napoleão.

Nos vastos plainos do Egito,
Sobre Titães de granito,
Eu tenho um poema escrito
Que deslumbra a solidão.
Das Ísis rasguei os véus,
Entre os altares fui deus,
Fiz povos escravos meus,
- Ah! inda sou Napoleão.

Desde onde o crescente brilha
Até onde o Sena trilha,
Tive o mundo por partilha
Tive imensa adoração;
E de um trono de fulgores
Fiz dos grandes - servidores,
Fiz dos pequenos - senhores,
- E sempre fui Napoleão.

Quando eu cortava os desertos,
Vinham-me os ventos incertos
De incenso e mirra cobertos
Lamber-me as plantas no chão;
As caravanas paravam,
E os romeiros que passavam

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