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UMA VÉSPERA DE REIS
Artur Azevedo

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Formato:e-book/ .PDF
Código:Vboreis9876
© VirtualBooks 2003
Disponibilidade: Grátis para você para baixar agora!
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Trechos do livro eletrônico

UMA VÉSPERA DE REIS
Artur Azevedo




Comédia em um ato

Personagens
REIS, pai-de-família
BERMUDES, fazendeiro de Camamu
ALBERTO, estudante de medicina
JOSÉ, moleque
FRANCISCA, mulher de Reis
EMÍLIA, sua filha
UMA VIZINHA
DOIS PRETOS-MINAS, RANCHO DOS REIS, POVO, ETC.

A cena passa-se na capital da Bahia, em uma casa do Largo da Lapinha. Atualidade. Em casa de Reis. Sala de visitas. Mobília velha: mesa, cadeiras, piano de mesa. Castiçais com grandes mangas de vidro. Registros do Senhor do Bonfim. Palha Benta em um dos cantos da sala. Ao fundo, porta que deita para o corredor; à direita, duas janelas; à esquerda porta comunicando com o interior da habitação. É dia.


Cena I
JOSÉ e ALBERTO
(José está à janela, conversando com Alberto que se acha da parte de fora).
JOSÉ - Então V.S. me acha com cara de pau de cabeleira; não é assim, seu doutor?
ALBERTO - Fecho-te já a boca... (Dando-lhe dinheiro). Toma lá dois mil réis.
JOSÉ (Examinando) - Aqui só estão dez tostões... (Guarda o dinheiro).
ALBERTO - Logo dar-te-ei os outros dez. Anda! Vê um momento em que ela esteja sozinha.
JOSÉ - Não se incomode! Venha de lá um charutinho para o moleque...
ALBERTO - Eu fico à espera do assobio ali, (aponta) encostado ao chafariz...
JOSÉ - Faça favor de seu fogo. (Acende o seu charuto no de Alberto). Pode ir descansado, que o cabra é onça.
ALBERTO - Vê lá o que fazes, hein? Até logo... (Desaparece).


Cena II
JOSÉ, (desce à cena e canta) findando o trêmulo que a orquestra tem conservado desde a introdução).


COPLAS
I
Sou vivo como um azougue, 
para dinheiro arranjar:
hoje não pude, no açougue, 
o carniceiro enganar. 
Apesar de ser moleque, 
sou vivo como um senhor
doutor;
pra num bolso dar um cheque, 
como eu ninguém há
por cá. 
Olá!
Como eu ninguém há! 
Olé!
Como eu ninguém é! 
Oh!
Como eu ninguém vi! 
Olô!
Ninguém é como eu sou:
Olu!
Ninguém é como tu!


II
Que me importa que se diga 
qu'éstes meus modos são maus, 
que sou doido de uma figa 
e ando feito um dois de paus? 
Se me vêem nas algibeiras 
moedas a tinir.
cair!
Dou-me bem co'estas maneiras, 
pois é isso o que dá (Esfrega os dedos)
pra cá! (Aponta para as algibeiras)
Olá! etc.

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