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LEDE
(Prefácio aos Suspiros
Poéticos e Saudades)
Pede o uso que se dê
um prólogo ao Livro, como um pórtico
ao edifício; e como este deve indicar por
sua construção a que Divindade se
consagra o templo, assim deve aquele designar
o caráter da obra. Santo uso de que nos
aproveitamos, para desvanecer alguns preconceitos,
que talvez contra este Livro se elevem em alguns
espíritos apoucados.
É um Livro de Poesias
escritas segundo as impressões dos lugares;
ora assentado entre as ruínas da antiga
Roma, meditando sobre a sorte dos impérios;
ora no cimo dos Alpes, a imaginação
vagando no infinito como um átomo no espaço,
ora na gótica catedral, admirando a grandeza
de Deus, e os prodígios do Cristianismo;
ora entre os ciprestes que espalham sua sombra
sobre túmulos; ora enfim refletindo sobre
a sorte da Pátria, sobre as paixões
dos homens, sobre o nada da vida. São poesias
de um peregrino, variadas como as cenas da Natureza,
diversas como as fases da vida, mas que se harmonizam
pela unidade do pensamento, e se ligam como os
anéis de uma cadeia; poesias d'alma, e
do coração, e que só pela
alma e o coração devem ser julgadas.
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