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I
Começou por me dizer
que o seu caso era simples – e que se chamava
Macário...
Devo contar que conheci este
homem numa estalagem do Minho. Era alto e grosso:
tinha uma calva larga, luzidia e lisa, com repas
brancas que se lhe eriçavam em redor: e
os seus olhos pretos, com a pele em roda engelhada
e amarelada, e olheiras papudas, tinham uma singular
clareza e rectidão – por trás dos
seus óculos redondos com aros de tartaruga.
Tinha a barba rapada, o queixo saliente e resoluto.
Trazia uma gravata de cetim negro apertada por
trás com uma fivela; um casaco comprido
cor de pinhão, com as mangas estreitas
e justas e canhões de veludilho. E pela
longa abertura do seu colete de seda, onde reluzia
um grilhão antigo – saíam as pregas
moles de uma camisa bordada.
Era isto em Setembro;
já as noites vinham mais cedo com uma friagem
fina e seca e uma escuridão aparatosa.
Eu tinha descido da diligência, fatigado,
esfomeado, tiritando num cobrejão de listras
escarlates.
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