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I.
Assunto grande chamei
ao deste dia (deixada por agora a segunda parte
dele), não só porque neste dia,
com tão devidas demonstrações
de alegria, festejamos os felizes anos da Rainha
sereníssima (que Deus nos guarde por muitos),
senão porque neste dia se cerra venturosamente
aquele grande ano, tão grande que nem Portugal
o teve igual, nem o Mundo o viu maior. Os anos
e os dias do Mundo fá-los o curso do Sol;
os anos e os dias dos reinos, fazem-nos as ações
dos príncipes. O Sol pode fazer dias longos;
dias grandes só os fazem e podem fazer
as ações. O mais famoso dia que
teve o Mundo, foi aquele em que parou o Sol obediente
à voz de um homem. Escreve o caso o Texto
Sagrado, e diz assim: Stetit sol in medio caeli;
non fuit antea, nec postea tam longa dies (Jos.
X-13 e 14): Esteve o Sol parado no meio do Céu,
e não antes nem depois houve no Mundo tão
longo dia. Notai; não diz o texto dia tão
grande senão dia tão longo: Tam
longa dies; porque o Sol pode fazer dias longos;
dias grandes só os podem fazer as ações.
Aquele mesmo dia verdadeiramente foi longo e foi
grande; mas foi longo, porque o fez o Sol; foi
grande, porque o fez Josué; foi longo porque
o estendeu a luz; foi grande, porque o engrandeceu
a maravilha; foi longo, porque esteve o Sol parado;
foi grande, porque um homem o mandou parar: Non
fuit antea nec postea tam longa dies.
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