|
Advertência da 1ª edição
Não seio que deva
pensar deste livro; ignoro sobretudo, o que pensará
dele o leitor. A benevolência com que foi
recebido um volume de contos e novelas, que há
dois anos publiquei, me animou a escrevê-lo.
É um ensaio. Vai despretensiosamente às
mãos da crítica e do público,
que o tratarão com a justiça que
merecer.
A crítica desconfia
sempre da modéstia dos prólogos,
e tem razão. Geralmente são arrebiques
de dama elegante, que se vê ou se crê
bonita, e quer assim realçar as graças
naturais. Eu fujo e benzo-me três vezes
quando encaro alguns desses prefácios contritos
e singelos, que trazem os olhos no pó da
sua humildade, e o coração nos píncaros
da sua ambição. Quem só lhes
vê os olhos, e lhes diz verdade que amargue,
arrisca-se a descair no conceito do autor, sem
embargo da humildade que ele mesmo confessou,
e da justiça que pediu.
|