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O MOÇO LOIRO
Joaquim Manuel de Macedo
VirtualBooks
Formato:e-book/ PDF
Código:VBOOMOCOLOIRO
© VirtualBooks 2002
Disponibilidade: Grátis para você para baixar agora!
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Trechos do livro eletrônico

O MOÇO LOIRO
Joaquim Manuel de Macedo

Introdução

Ce livre
Tremble et palpite sous vos pieds.
V. Hugo

SENHORAS!
Para que nascesse O moço loiro influíram fortemente em mim dois sentimentos nobres e profundos.
No empenho de escrever - a gratidão.
Na concepção e desenvolvimento do romance - a esperança.
Um ano há decorrido desde que um jovem desconhecido, sem habitações, com fracos e limitadíssimos recursos intelectuais, mas rico de vontade e de bons desejos; temeroso e quase à força ofereceu à generosidade do público do Rio de Janeiro um pobre fruto de sua imaginação - A moreninha - que ele amava, como filha de sua alma. Esse jovem, senhoras, fui eu.
Fui eu, que, com meus olhos de pai, a segui em sua perigosa vida, temendo vê-la cair a cada instante no abismo do esquecimento... fui eu que (talvez ainda com vaidade de pai) cheguei a crer que o público a não enjeitava; e, sobretudo, que minha querida filha tinha achado corações angélicos, que, dela se apiedando, com o talismã sagrado de sua simpatia a levantaram mesmo muito acima do que ela merecer podia. E esses corações, senhoras, foram os vossos.
Oh! mas é preciso ser autor, ao menos pequenino autor, como eu sou, para se compreender com que imenso prazer, com que orgulho eu sonhava vossos belos olhos pretos brasileiros, derramando os brilhantes raios de suas vistas sobre as páginas do meu livro! vossos lábios cor-de-rosa docemente sorrindo-se às travessuras da Moreninha!
E desde então eu senti que devia um eterno voto de agradecimento a esse público, que não enjeitara minha cara menina; e que mais justa dedicação me prendia aos pés dos cândidos seres, que haviam tido compaixão de minha filha.
E, pobre como sou, convenci-me para logo que não daria nunca um penhor dos sentimentos, que em mim fervem, se o não fosse buscar no fundo d'alma, colhendo minhas idéias, e delas organizando um pensamento.
E, acreditando que me não devia envergonhar da oferta, porque dava o que dar podia; e porque, assim como o perfume é a expressão da flor, o pensamento é o perfume do espírito; eu quis escrever...
No empenho de escrever, pois, influiu em mim - a gratidão.
Ora, o pensamento que dessas idéias pretendia organizar era - um romance; mas, fraco e desalentado, o que poderia exercer em mim influência tão benigna e forte, que, mercê dela, conseguisse eu conceber (mesmo deforme como é) O moço loiro, e chegasse a terminá-lo? o quê?... - a esperança.
Porque a esperança - é um alimento - sim! o mais doce alimento do espírito!
E tudo quanto eu esperei, espero ainda.
Espero que minhas encantadoras patrícias vejam em O moço loiro, um simples e ingênuo tributo de gratidão a elas votado; e espero também que o público, que outrora me animou, e a quem muito devo, de tal tributo se apraza; pois sei que sempre lisonjeiro lhe é ver render cultos aos astros brilhantes de seu claro céu, às mimosas flores de seu ameno prado.

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