- O
Crédito
José de Alencar
Os créditos da
migração da novela "O
Crédito", de José
de Alencar, do papel para a mídia eletrônica
se deve a Francisco Gomes Ferreira de Mello, que
nos enviou gentilmente o texto: frangfmello@hotmail.com
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- COMÉDIA EM
CINCO ATOS
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- PERSONAGENS
- RODRIGO,
engenheiro, 27 anos.
- MACEDO,
agiota, 45 anos.
- PACRECO,
capitalista, 59 anos.
- HIPÓLITO,
estudante, 23 anos.
- OLIVEIRA,
negociante, 26 anos.
- BORGES,
empregado público, 38 anos.
- GUIMARÃES, moço
desempregado, 30 anos.
- JULIETA, filha
de Pacheco, 18 anos.
- CRISTINA,
filha de Borges, 16 anos.
- D. OLIMPLA,
mulher de Borges, 32 anos.
- D. ANTÔNIA,
mulher de Pacheco, 40 anos.
- Um Pardinho,
escravo de Pacheco.
- Um Moleque,
escravo de Borges.
- Uma Mulher e
uma Menina cega.
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- A cena é no
Rio de Janeiro e de atualidade.
- O primeiro
ato, o segundo, o terceiro e o quinto
passam-se em casa de Pacheco. O quarto, em
casa de Borges.
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- ATO PRIMEIRO
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- Entrada de uma
casa em São Clemente. À esquerda, a fachada
do edifício, com porta e escada de pedra
sobre o pátio. À direita, uma gradil
elegante e um belo portão. No fundo, um muro
baixo e a chácara. No centro um alegrete com
um cedro.
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- São cinco
horas da tarde de um dia de setembro.
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- CENA PRIMEIRA
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- JULIETA,
CRISTINA, depois uma VELHA e uma MENINA CEGA
- (JULIETA está
na janela, quando aparecem no portão CRISTINA
e BORGES. BORGES cumprimenta JULIETA e sai.)
- JULIETA (na
janela) - Cristina!
- CRISTINA
(correndo para a porta) - Julieta!
- (A porta
abre-se, JULIETA sai, as duas moças abraçam-se.)
- JULIETA -
Adeus; ingrata!
- CRISTINA - Um
mês, é verdade! Tiveste saudades minhas?
- JULIETA -
Ainda perguntas?...
- CRISTINA - E
eu, não fazes idéia! Todos os dias pedia a
mamãe para voltar. Não sei que encantos acha
ela em S. Domingos!
- JULIETA - É
um belo lugar para tomar ares!
- CRISTINA -
Qual! Pois ainda acreditas nisto! Os médicos
inventaram esse meio de se livrarem dos
doentes que não sabem curar. Os melhores ares
são os que se respiram perto daqueles que
amamos.. Por isso eu aqui era São Clemente,
junto de ti, estou sempre alegre e satisfeita.
- JULIETA -
Minha boa Cristina... Tu me queres então
muito bem, tanto como eu te quero?
- CRISTINA -
Muito! Se tu fosses homem, palavra que me
casava contigo. Que bonito maridinho havias de
ser! (Beija-a na lace.)
- JULIETA .- Eu
tenho um ainda mais bonito para dar-te.
- CRISTINA
(sorrindo) - Quem? Hipólito?... Onde está
ele? Saiu?
- JULIETA - Sim,
foi dar um passeio com o Sr. Rodrigo, não
deve tardar...
- CRISTINA -
Rodrigo!... Não é um moço que chegou há
pouco da Europa? Mamãe conhece-o.
- JULIETA - É
esse mesmo. Seu pai preferiu gastar o pouco
que possuía em dar-lhe uma bela educação, e
mandou-o estudar na Alemanha.
- CRISTINA - Ele
é pobre, então?
- JULIETA -
Pobre de dinheiro, mas rico de inteligência.
- CRISTINA - Ora
que vale essa riqueza? JULIETA - Mais do que
pensas. Não é só o dinheiro que é riqueza,
Cristina. A inteligência vale mais do que o
ouro.
- CRISTINA -
Falas dele com um interesse!
- JULIETA -
Interesse muito natural; é um moço digno de
estima, que tem um brilhante futuro.
- CRISTINA - Há
muito tempo que se dá em tua casa?
- JULIETA - Há
oito dias.
- CRISTINA - E já
o conheces tanto?
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