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Capítulo
I
A história de Pernambuco
oferece-nos exemplos de heroísmo e grandeza
moral que podem figurar nos fastos dos maiores
povos da antigüidade sem desdourá-los.
Não são estes os únicos exemplos
que despertam nossa atenção sempre
que estudamos o passado desta ilustre província,
berço tradicional da liberdade brasileira.
Merecem-nos particular meditação,
ao lado dos que aí se mostram dignos da
gratidão da pátria pelos nobres
feitos com que a magnificaram, alguns vultos infelizes,
em quem hoje veneraríamos talvez modelos
de altas e varonis virtudes, se certas circunstâncias
de tempo e lugar, que decidem dos destinos das
nações e até da humanidade,
não pudessem desnaturar os homens, tornando-os
açoites das gerações coevas
e algozes de si mesmos. Entra neste número
o protagonista da presente narrativa, o qual se
celebrizou na carreira do crime, menos por maldade
natural, do que pela crassa ignorância que
em seu tempo agrilhoava os bons instintos e deixava
soltas as paixões canibais. Autorizavam-nos
a formar este juízo do Cabeleira a tradição
oral, os versos dos trovadores e algumas linhas
da história que trouxeram seu nome aos
nossos dias envolto em uma grande lição.
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