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O
BADEJO
Artur Azevedo
Comédia em três atos, em verso
Representada pela primeira
vez no Rio de Janeiro, no Teatro São Pedro
de Alcântara, no dia 15 de outubro de 1898,
por iniciativa do CENTRO ARTÍSTICO pelo
corpo cênico do ELITE-CLUB
Ao
Doutor João do Rego Barros
AMIGO DA ARTE E DOS ARTISTAS
O.D.C.
Artur Azevedo
PERSONAGENS ATORES
JOÃO RAMOS Senhor FREDERICO COSTA
LUCAS Senhor ORLANDO TEIXEIRA
BENJAMIN FERRAZ Senhor TEIXEIRA JÚNIOR
CÉSAR SANTOS Senhor ANTÔNIO SANTOS
UM COZINHEIRO Senhor COLOMI CASTELÕES
UM COPEIRO Senhor CARLOS DE FREITAS
AMBROSINA Senhorita CONSTANÇA TEIXEIRA
DONA ANGÉLICA Dona OLGA PRUDENTE
A cena passa-se no Rio de Janeiro.
Atualidade.
ATO PRIMEIRO
Sala de visitas, bem mobiliada,
em casa de João Ramos. Três portas
ao fundo, dando para o jardim. Uma porta à
direita comunicando com a sala de jantar e outra
à esquerda, dando para os dormitórios.
À esquerda uma mesa com álbuns,
porta-cartões, etc. À direita um
sofá. Consolo ao fundo. Piano. Cadeiras.
CENA I
JOÃO RAMOS (Só.)
[RAMOS (Só.)]
- O almoço com certeza vai custar-me
Uns duzentos mil réis, afora os vinhos;
Mas se caso a Ambrosina, ainda é barato,
Porque muito me custa a senhorita.
Das minhas rendas a metade vai-se
Em vestidos, chapéus, leques e luvas,
Espetáculos, bailes e concertos;
Ela casada, cessam tais despesas;
É preciso, porém, que o noivo seja
Um rapaz sério e não nenhum pelintra
Que deseje viver à minha custa:
Pior seria a emenda que o soneto.
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