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Numa
e a Ninfa
Lima Barreto
Texto-base
digitalizado por:
Sérgio Luiz Simonato - Campinas/SP
e-mail de contato: tiosergio@uol.com.br
- Observação:
“Numa e a Ninfa” foi publicado em 3 de
junho de 1911 pela Gazeta da Tarde do Rio de
Janeiro. “As aventuras do Dr. Bogoloff”,
publicação semanal, começaram a aparecer em
fins de 1912.
- Lima
Barreto, desenvolveu posteriormente a novela,
com o mesmo título (Numa e a Ninfa), que foi
publicada em folhetins diários, pelo jornal
carioca A Noite, de 15 de março a 26 de julho
de 1915.
- O
autor aproveitou, na confecção da novela,
trechos das duas publicações anteriores, o
que explica diversas repetições e algumas
alterações de nomes de personagens.
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Apresentamos
na seqüência a edição de Numa e a Ninfa e
os capítulos de As Aventuras do Doutor
Bogoloff.
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- NUMA
E A NINFA
-
- a
Irineu Marinho
-
- “Cette
nation (l’Egypte) grave et sérieuse
- connut
d’abord la vraie de la politique,
- qui
est de rendre la vie commode et les
- peuples
heurex”
BOUSSET
I
O
grande debate que provocara na Câmara o projeto
de formação de um novo Estado na federação
nacional apaixonou não só a opinião pública,
mas também (é extraordinário) os profissionais
da política.
Em torno do projeto, interesses de toda a
ordem gravitavam. Um grande número de cargos políticos
e administrativos iam ser criados; e, se bem que a
passagem do projeto de lei não fosse para já, os
chefes, chefetes, subchefes, ajudantes, capatazes
políticos se agitavam e pediam, e desejavam, e
sonhavam com este e aquele lugar para este ou
aquele dos seus apaniguados.
De resto, além desse resultado palpável
do projeto, havia nele outro alcance que só os
profissionais da política entreviam. Com a criação
de um novo Estado nasceria naturalmente uma nova
bancada da representação nacional no Senado e na
Câmara; e o partido dominante, republicano
radical, temia não eleger a totalidade dela.
Bastos,
o seu poderoso e temido chefe, que detinha o domínio
político do pais, hesitava em apoiar ou
contrariar francamente o projeto e, a respeito, só
tinha frases vagas e gestos de duvidoso sentido.
Os seus asseclas, os muitos que lhe obedeciam
cegamente, sem a palavra devida, não sabiam o que
dizer; e os mais atarantados eram os seus
jornalistas e parlamentares. Uns, apoiavam;
outros, combatiam; outros, ainda, ora apoiavam,
ora combatiam.
Essa desordem nos arraiais políticos, essa
interrupção do trilho guiador, excitava os ânimos
dos legisladores, preocupados, todos, quer
combatessem, quer apoiassem, em agradar o chefe e
revelar que haviam descoberto o pensamento oculto
de Bastos - porque o Congresso era todo deste, a não
ser uma reduzida minoria que, no afã de combatê-lo,
ora dizia não, ora sim, conforme supunha que
Basto queria ou não a criação de uma nova
unidade federal.
Deputados houve que cortaram as relações
amistosas, tão somente porque, no calor da
discussão, um aparte mais veemente um deles
proferira, quase sem reflexão.
Dizia-se à boca pequena que o projeto
tinha por fim acrescer a representação federal
de jeito que, na próxima legislatura, tivesse o
Congresso os dois terços necessários para
rejeitar o “veto” ao projeto de venda de um
dos mais importantes próprios nacionais.
Cochichavam que tal influência receberia tanto;
que tal outro já havia recebido metade da
gratificação prometida; que a esposa de um
diplomata também tinha interesse no negócio, além
de apontarem outros padrinhos, já conhecidos por
todos, como protetores de tais cambalachos.
Ao certo, o que havia em torno da proposição
parlamentar, o grosso público não sabia, e que
ela podia trazer no bojo tudo o que se dizia, era
admissível. A imitação do regime político dos
Estados Unidos não ficou restrita à Constituição;
aos poucos, como conseqüência ou não,
conscientemente ou sem pensamento anterior, a
imitação se estendeu aos seus escusos processos
de traficâncias em votos e medidas de governo.
A massa, a população interessava-se pelo
debate, pesava argumentos, sem suspeitar que tanto
esforço de inteligência escondesse
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