NO
DECLÍNIO
VISCONDE
DE TAUNAY
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Prefácio
Visconde
de Taunay - o festejado escritor de "A
Retirada da Laguna"
Último,
por ordem cronológica, dos seis romances do
Visconde de Taunay, foi-lhe No Declínio o
“canto do cisne” da estafada frase feita.
Escreveu-o no último ano de vida quando o
implacável diabetes lhe minava as forças e
cruelmente lhe ia roubando a vista em plena pujança
cerebral.
Publicou a novela em folhetins da Gazeta
da Tarde do Rio de Janeiro, em 1898, e depois
de lhe dar a última demão, corrigiu-lhe as
provas do volume até quase as vésperas da morte.
Saiu-lhe o romance menos de uma quinzena
antes do seu falecimento a 25 de janeiro de 1899.
E seus confrades e amigos, visitando-o
nestes dias derradeiros, porfiaram em lhe exprimir
o prazer injustificadamente pessimista, como anda,
quer, à fina força, fazer-nos crer que se sente
e se acha mesmo abatido. Mas ao abrir o livro
percebi logo que quem no declínio está é a Sra.
D. Lucinda, viúva e mulher bonita, mas já
quarentona, disse-lhe Machado de Assis, a
gracejar, e aludindo à heroína do romance.
Noticiando o aparecimento do romance, a seu
respeito escreveu José Veríssimo um artigo, última
das apreciações que sobre a sua obra leu o
romancista.
Estudou-lhe o crítico aí o papel no
conjunto da história de nossa literatura,
relembrou a feição nacionalista de sua obra e
com franqueza lhe apontou senões e defeitos.
A seu ver é No declínio o melhor
dos romances do escritor, depois de Inocência,
entende-se. Encontra-lhe alguma desigualdade, mas
“o assunto não é banal e o final do romance
tratado com distinção e vigor”.
E ao terminar o seu estudo enuncia: “Eu
achei neste livro de um escritor que começou há
trinta anos, a influência das novas correntes
literárias e das novas idéias de arte e uma
preocupação da forma que atinge a do purismo.
Estamos longe da reação de José de Alencar”.
É a observação perfeitamente exata. Começando
a escrever numa época em que todos os autores
brasileiros maltratavam e muito o vernáculo,
imprimiu o Visconde de Taunay diversos volumes da
primeira fase de sua vida literária com numerosos
deslizes de linguagem.
À própria Inocência refundiu
completamente por ocasião da segunda tiragem em
1884. Este apuro cada vez mais se lhe refinou,
pelo contato íntimo dos grandes clássicos, sem
que, contudo jamais se deixasse levar ao exagero
de sacrificar uma só das modalidades da
fraseologia brasileira para atender às exigências
das formas equivalentes de além Atlântico.
Para o grande público é No Declínio,
por assim dizer, uma novidade. A sua primeira edição,
de mil exemplares, aparecida em 1889 (Rio de
Janeiro – Macedo & Cia.) esgotou-se com
certa rapidez.
Em novembro de 1900 assinou-se o contrato
em virtude do qual a Livraria H. Garnier, do Rio
de Janeiro e de Paris, publicou a segunda edição
do romance, também de mil exemplares. Esta
tiragem, inexplicavelmente, esgotou-se em 22 anos,
segundo a comunicação que, em dezembro de 1923,
me fez a casa Garnier.
Assim,
pois, é como que um livro novo do Visconde de
Taunay o que a Companhia Melhoramentos de S. Paulo
(Weiszflog Irmãos Incorporada) aqui oferece ao público,
na série já extensa das obras do autor de Inocência,
por ela publicadas e reeditadas, com um capricho e
um desvelo sobremodo notáveis e entre os quais
sobrelevam as belas edições ilustradas da novela
sertaneja e da Retirada da Laguna.
São
Paulo, agosto de 1926.
Affonso de E. Taunay
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