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MALDITA PARENTELA
França Júnior
Comédia em um ato
PERSONAGENS
CASSIANO VILASBOAS, 33 anos
HERMENEGILDA TAQUARUÇU DE MIRANDA, 30 anos
DESIDÉRIO JOSÉ DE MIRANDA, 60 anos
DAMIÃO TEIXEIRA, 50 anos
RAIMUNDA, sua mulher, 45 anos
MARIANINHA, sua filha 20 anos
MAJOR BASÍLIO, 60 anos; suas filhas
- LAURINDINHA, 20 anos
- COCOTA, 20 anos
GUIMARÃES, 40 anos
DOUTOR AURÉLIO, 25 anos
3 criados; 3 meninos de 7 a 10 anos; 1 menina de 8 anos, convidados. A ação passa-se no Rio de Janeiro, no ano de 1871.
ATO ÚNICO
O teatro representa uma sala mobiliada com elegância. É noite.
CENA I
DAMIÃO TEIXEIRA e RAIMUNDA
DAMIÃO (Entrando por uma das portas da esquerda, a Raimunda, que entra pela direita.) - Onde está Marianinha? (Com alegria.) As salas regorgitam de gente e neste momento acaba de entrar a família do comendador Pestana.
RAIMUNDA - Marianinha está no toalete com as filhas do conselheiro Neves.
DAMIÃO - Que reunião luzida! São apenas nove horas e já tenho em casa dois desembargadores, três deputados, um conselheiro, um tenente-coronel...
RAIMUNDA - O pior é que chove a cântaros.
DAMIÃO - Tanto melhor. Haverá à porta maior número de carros e o nosso baile, durante uma semana pelo menos, será o assunto das conversações na vizinhança.
RAIMUNDA - Você só pensa nos seus comendadores e barões e não se lembra do mano Basílio e das meninas da Prainha. Sabe Deus como elas virão por aí, coitadinhas, metidas num bonde, todas enlameadas e correndo o risco de uma constipação.
DAMIÃO - Se é por esse motivo que a chuva a incomoda, então fique sabendo desde já que eu não duvidaria dar às almas o dobro do que gastei esta noite para ver desabar sobre a cidade um tremendo temporal, dez vezes maior que o de dez de outubro.
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