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capjuvenil .GIF (9416 bytes)Os Tamanquinhos de Natal
François Copée
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Formato: e-book / PDF

Código: Infa2000037
© VirtualBooks 2000
Idioma: Português

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Os Tamanquinhos de Natal
François Copée

 

Era uma vez - há tanto tempo que ninguém lembrava a data -, em uma cidade do norte da Europa - cujo nome é tão difícil de pronunciar que ninguém se lembra dele -, era uma vez um menino de sete anos chamado Wolff, órfão de pai e mãe, entregue aos cuidados de uma velha tia, mulher rude e avarenta, que só beijava o sobrinho no dia do Ano-Bom, e que suspirava de pesar sempre que lhe dava um prato de sopa.

Todavia, o pobre pequeno possuía tão bom caráter que, mesmo assim, estimava a tia, apesar de ter muito medo dela e de não poder olhar sem tremer para a grande verruga, enfeitada de quatro cabelos grisalhos, que ela tinha na ponta do nariz.

Como a tia de Wolff era conhecida por ter casa própria e uma meia de lã cheia de moedas de ouro, não se atrevera a mandar o sobrinho à escola dos pobres; mas fizera tais diligências para conseguir que o mestre da escola onde Wolff estava lhe fizesse um abatimento, que aquele, mau e pedante, vexado por ter um discípulo tão mal vestido e pagando tão pouco, punha-lhe muitas vezes, e sempre com injustiça, o letreiro nas costas e a carapuça de orelhas de burro e chegava a excitar contra ele os outros alunos, filhos de burgueses abastados, que faziam do órfão o seu burro de carga.

Consequentemente, quando chegou o Natal, o pobre pequeno era infeliz como as pedras da rua e escondia-se em todos os cantos para chorar.

Na véspera do grande dia, o mestre-escola devia levar os discípulos à missa do galo e acompanhá-los depois à casa dos pais.

Ora, como o inverno era muito rigoroso, e como nos dias antecedentes, caíra grande quantidade de neve, os alunos chegaram à escola, à hora combinada, muito enroupados e agasalhados, com gorros de pele enterrados até às orelhas, dois e três casacos, luvas ou mitenes de lã e botas de sola grossa e pregueada. Wolff foi o único que se apresentou tiritando com seu traje de todos os dias, com os pés calçados em meias de Estrasburgo e de pesados tamancos.

Os outros rapazes, vendo o seu ar acanhado e o seu pobre traje de camponês, fartaram-se de troçar dele; mas o órfão estava tão entretido a aquecer as mãos, levando-as à boca, e as frieiras doíam-lhe tanto, que não percebeu isso. E o bando de garotos, caminhando dois a dois, com o mestre-escola à frente, dirigiu-se para o povoado.

A igreja estava resplandecente de tochas acesas; e os meninos, excitados pelo calor agradável, aproveitaram o barulho do órgão e do canto para palrarem a

meia voz. Todos elogiavam a ceia que os esperava em casa. O filho do burgomestre tinha visto, antes de sair, um pato enorme, cheio de trufas, que o salpicavam de pontos negros, dando-lhe o aspecto de um leopardo. Em casa do primeiro almotacel havia um pinheiro pequeno dentro de uma caixa, e dos ramos desse pinheiro caíam laranjas, confeitos e polichinelos. E a cozinheira do tabelião prendera atrás das costas, com um alfinete, as duas pontas da touca, o que acontecia unicamente nos dias de inspiração, quando tinha certeza de executar com esmero o doce favorito.

Depois, falaram também no que lhes levaria o Menino Jesus, no que ele colocaria no sapato que eles teriam o cuidado de deixar na chaminé, antes de irem para a cama; e, espertos como olhos de ratos, os olhos daqueles garotos cintilavam antecipadamente pela alegria de verem, quando acordassem, o papel cor-de-rosa dos sacos de amêndoas, os soldados de chumbo enfileirados na sua caixa, as casinhas de madeira envernizada, e os magníficos palhaços vestidos de púrpura e lantejoulas.

O pobre Wolff sabia perfeitamente, por experiência, que a sua tia avarenta o mandaria para a cama sem ceia, mas, como estava certo de ter sido, todo o ano, tão obediente e aplicado quanto possível, esperava, ingenuamente, que o Menino Jesus não se esquecesse dele e tinha a intenção de deixar os seus tamancos em cima da cinza da lareira.

Logo que terminou a missa do galo, os fiéis retiraram-se, impacientes pela ceia, e o bando de estudantes, sempre dois a dois, precedidos pelo pedagogo, saiu da igreja.

     

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