As
Viagens de Gulliver
Jonathan
Swift
NO
dia 5 de novembro de 1669, voltando de uma viagem aos
mares do sul, o Antílope, navio da marinha mercante
inglesa, enfrentou violenta tempestade que o projetou
sobre uns recifes.
0
cirurgião de bordo, Lemuel Gulliver, único
sobrevivente de toda a tripulação, conseguiu, depois
de esforços sobre-humanos, chegar a terra firme.
A noite
chegara. Não descobrindo nenhum sinal de vida, Gulliver,
morto de fadiga, deitou-se de costas e não tardou em
dormir profundamente. 0 sol já estava alto quando
acordou no dia seguinte.
Quis
levantar-se, mas, sentiu os cabelos presos ao chão e os
braços e pernas imobilizados por uma porção de
amarras. Erguendo ligeiramente a cabeça, apesar da dor
que os cabelos lhe causavam, viu sobre todo o seu corpo
uma multidão de homenzinhos que não mediam mais de 15
centímetros de altura.
0
espanto e o medo lhe fizeram soltar tamanho grito que os
pequenos personagens ficaram apavorados. Na sua
precipitação em fugir, alguns caíram de grande altura
e tiveram muita dificuldade em se levantar.
Aproveitando-se
da confusão, Gulliver conseguiu afrouxar os nos que lhe
prendiam a mão, esquerda. Esperava soltar-se
completamente, mas, seus minúsculos agressores não lhe
deram tempo. Assim que voltaram a si do susto,
atiraram-lhe no rosto uma multidão de flechas do
tamanho de agulhas.
Compreendendo
que nada conseguiria pela violência, Gulliver desistiu
de se' mexer. Logo as flechas cessaram de cair sobre
ele. Um estrado foi logo rapidamente armado perto de seu
rosto, e um personagem que parecia ser o chefe dos
homenzinhos, ali se instalou e começou longo discurso
numa língua que Gulliver nunca ouvira. Porem, pelos
gestos que fazia, Gulliver percebeu que ele o convidava
a ficar quieto, senão a resposta seria a violência. Da
melhor maneira que pôde, Gulliver deu a entender que se
submetia, e, como estivesse morto de fome, levou
diversas vezes a mão à boca. Imediatamente lhe
trouxeram pratos repletos de alimentos finos que teriam
sido suficientes para alimentar a multidão de
homenzinhos que o cercava.
Gulliver,
para grande espanto deles, comeu-os em poucos segundos,
assim como esvaziou de um trago os minúsculos barris de
vinho que lhe foram apresentados.
Enquanto
ele se alimentava, soldados arrancaram as flechas que
lhe cobriam as mãos e o rosto, e esfregaram as feridas
com ungüento perfumado que acalmou suas dores.
Mal
terminara sua refeição, e já dormia profundamente sob
o efeito de um narcótico que tinha misturado a sua
comida.
Durante
este sono foi arrastado para uma carroça puxada por
centenas de cavalos e levado até as portas da capital
do pais. Lá , enquanto os curiosos o observavam de cima
das muralhas, acordou e um oficial lhe fez compreender
que punham à sua disposição um templo vazio situado
fora da cidade.
Gulliver
teve alguma dificuldade em penetrar em sua nova casa,
porque a porta era muito estreita, mas verificou com
satisfação que podia esticar-se completamente em seu
interior.
Pouco
depois o oficial ordenou a seus homens que examinassem
os bolsos de Gulliver. Entre os objetos dali retirados o
que provocou a mais viva curiosidade foi o seu relógio,
sendo que muitos foram os que vieram admirar este objeto
esquisito do qual eles não compreendiam a utilidade.
Durante
este tempo, Gulliver o soube mais tarde, o governo do
reino reunira-se para deliberar a seu respeito.
|