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O Brasil é
imprevisível. Quem, na época, poderia
imaginar que aquele molecote que vendia doces
numa bandeja pelas ruas do Morro do Livramento,
filho de gente humilde, cedo órfão
de mãe, criado por uma boa madrasta, subiria
aos poucos, pelo próprio esforço,
para atingir dignamente a primeira plana da literatura
nacional com a obra maior de nossas Letras. Isto
constituiu a completa negação das
teorias dominantes do século XIX, para
as quais a criação artísticoliterária
era oriunda de fatores exteriores ao meio, raças
e momento, influências sociais, étnicas,
geográficas. A obra resultaria de influências
externas a si mesma.
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