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DENTRO
DA NOITE
João do Rio
Preservai-nos,
Senhor,
das coisas terríficas que
andam à noite
Rei Davi
A FELIX PACHECO
Cordíalmente
JOÃO DO RIO
INDICE
Dentro da noite
Emoções
História de gente alegre
O fim de Arsênio Godard
Duas criaturas
Coração
A noiva do som
A sensação do passado
Aventura de hotel
O monstro
O bebê de tarlatana rosa
A parada da ilusão
Laurinda Belfort.
A peste
Última noite
Uma mulher excepcional
A mais estranha moléstia
O carro da semana santa
DENTRO DA NOITE
- Então causou sensação?
--Tanto mais quanto era inexplicável. Tu
amavas a Clotilde, não? Ela, coitadita!
parecia louca por ti, e os pais estavam radiantes
de alegria. De repente, súbita transformação.
Tu desapareces, a família fecha os salões
como se estivesse de luto pesado. Clotilde chora...
Evidentemente havia um mistério, uma dessas
coisas capazes de fazer os espíritos imaginosos
arquitetarem dramas horrendos. Por felicidade,
o juizo geral é contra o teu procedimento.
- Contra mim?
Podia ser contra a pureza da Clotilde. Graças
aos deuses, porém, é contra ti.
Eu mesmo concordaria com o Prates que te chama
velhaco, se não viesse encontrar o nosso
Rodolfo, agora, onze da noite, por tamanha intempérie
metido num trem de subúrbio, com o ar desvairado...
- Eu tenho o ar desvairado?
- Absolutamente desvairado.
- Vê-se?
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