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COMO
SE FAZIA UM DEPUTADO
França Jr.
Comédia
em três atos
Representada pela primeira vez no Rio de Janeiro
no
Teatro Recreio Dramático, em 14 de abril
de 1882.
Personagens Atores
Major Limoeiro.......................... ..............................................Senhor
Bahia
Tenente-Coronel Chico Bento, do Pau Grande.............................Senhor
Araújo
Henrique, bacharel em Direito..................................................Senhor
Galvão
Domingos, escravo de Limoeiro..............................................Senhor
Teixeira
Gregório, professor público da freguesia
do Barro Vermelho...........Senhor Colás
Custódio Rodrigo, juiz de paz da mesma
freguesia...................Senhor Florindo
Flávio Marinho, inspetor de quarteirão,
idem...............................Senhor Cruz
Pascoal Basilicata, italiano...................................................Senhor
Montani
Rasteira-Certa, capanga de eleições.......................................
Senhor Costa
Arranca-Queixo, idem..............................................................Senhor
Melo
Pé-de-Ferro, idem, idem.........................................................Senhor
Silva
1º Votante.........................................................................Senhor
Alfredo
2º Votante........................................................................Senhor
Pereira
Dona Perpétua, mulher de Chico Bento......................................Dona
Clélia
Rosinha, sua filha..................................................................Dona
Fanny
Escravos e escravas da Fazenda
do Riacho Fundo, votantes, capangas, povo, etc.,etc.
A ação passa-se
no interior da Província do Rio de Janeiro.
ATO PRIMEIRO
O teatro representa o terreiro
da Fazenda do Riacho Fundo. À esquerda,
vê-se a varanda da casa com janelas e portas,
que dão para a cena: à direita,
árvores; ao fundo, morros com plantações
de café.
Cena I
Major Limoeiro e Domingos
(Ao subir o pano, estão em cena escravos
e escravas da fazenda, com foices e enxadas.)
Coro
Oh! Que dia de pagode
Na fazenda de sinhô!
Sinhozinho chega hoje
Com a carta de doutô!
Nas senzalas satisfeitos,
Aguardente beberemos,
E, à noite, no terreiro
O batuque dançaremos.
Domingos
Com crioulas e mulatas,
No feroz sapateado,
Hei de em casa de meu branco,
Trazer tudo num cortado.
Ninguém bula c'o Domingos,
Que não é de brincadeira;
Quando solta uma umbigada,
Quando puxa uma fieira.
Coro
Oh! Que dia de pagode, etc.,etc.
(Dançam todos.)
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