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A velha e gloriosa corveta - que pena! - já
nem sequer lembrava o mesmo navio d'outrora, sugestivamente
pitoresco, idealmente festivo, como um galera
de lenda, branca e leve no mar alto, grimpando
serena o corcovo das ondas!...
Estava outra, muito outra com o seu casco negro,
com as suas velas encardidas de mofo, sem aquele
esplêndido aspecto guerreiro que entusiasmava
a gente nos bons tempos de "patescaria".
Vista ao longe, na infinita extensão azul,
dir-se-ia, agora, a sombra fantástica de
um barco aventureiro. Toda ela mudada, a velha
carcaça flutuante, desde a brancura límpida
e triunfal das velas até a primitiva pintura
do bojo.
No entanto ela aí vinha - esquife agourento
- singrando águas da pátria, quase
lúgubre na sua marcha vagarosa; ela aí
vinha, não já como uma enorme garça
branca flechando a líquida planície,
mas lenta, pesada, como se fora um grande morcego
apocalíptico de asas abertas sobre o mar...
Havia pouco entrara na região das calmarias:
o pano começava a bater frouxo, mole, inchando
a cada solavanco, para recair depois, com uma
pancada surda e igual, no mesmo abandono sonolento;
a viagem tornava-se monótona; a larga superfície
do oceano estendia-se muito polida e imóvel
sob a irradiação meridional do sol,
e a corveta deslizava apenas, tão de leve,
tão de leve que mal se lhe percebia o movimento.
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