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A
PRINCESA DOS CAJUEIROS
Artur Azevedo
Texto-base
digitalizado por:
Sérgio
Luiz Simonato – Campinas/SP
e-mail de contato: tiosergio@uol.com.br
Ópera
cômica em 1 prólogo e dois atos
Música
de
Francisco de Sá Noronha
Representada pela primeira vez no Rio de Janeiro
Teatro Fênix Dramática em 6 de março
de 1880
A JACINTO HELLER
oferece o Autor
PERSONAGENS DO PRÓLOGO
EL-REI CAJU
DOUTOR ESCORREGA, médico do paço
NHECO, mestre de cerimônias
MARCOS, pescador
VIRGÍNIA, uma mulher do povo.
UM PAJEM
UMA ENFERMEIRA
Conselheiros, ministros,
fidalgos, cortesãos, damas do paço
e amas de leite.
PERSONAGENS DOS DOIS
ATOS
PRINCESA DOS CAJUEIROS
PAULO, pescador
DUQUESA DA GUARDA-VELHA
PETRONILHA }
} mulheres do povo
TERESA }
EL-REI CAJU
BARÃO DO BOM SUCESSO, médico do
paço
NHECO, mestre de cerimônias
MARCOS, pescador
O ADVOGADO DA DEFESA
O ADVOGADO DA ACUSAÇÃO
1º MINISTRO
2º MINISTRO
3º MINISTRO
4º MINISTRO
UM LACAIO
Professores, gondoleiros,
fidalgos, damas, lacaios, etc.
A cena passa-se na Ilha (imaginária) dos
Cajueiros, os dois últimos atos vinte anos
depois do prólogo
PRÓLOGO
Sala de gosto antigo e esquisito.
Duas portas à direita e duas à esquerda.
No fundo, um arco em toda a largura da sala. Depois
do arco, uma grade, aberta no centro, para dar
passagem para um bosque por uma escada que não
se vê. À esquerda, um sofá.
Cena I
Cortesãos, depois
o Doutor Escorrega, depois Um Pajem, depois El-Rei
Caju e sua comitiva.
INTRODUÇÃO
CORO
DE CORTESÃOS - Contentes, contentes
nós vamos ficar!
Ferventes, ferventes,
Sabemos amar
A bela rainha
Que o céu
Nos deu,
E que, coitadinha
'Stá pra dar a luz
Um filho que há de ser um príncipe
de truz!
O DOUTOR (Aparecendo à porta dos aposentos
da rainha, à meia voz.)
- Senhores, não façam tamanho barulho,
Que nada de novo por ora não há...
CORO (À meia voz.) - Pois bem, não
façamos tamanho barulho
Que nada de novo por ora não há...
O DOUTOR - Senhores, estamos a quinze de julho;
Há já nove meses que... trá
lá rá lá!
CORO - Trá lá rá lá!
Trá lá rá lá!
Há já nove meses que... trá
lá rá lá!
O DOUTOR (Descendo à cena.)
Coplas
I
Eis
o Doutor Escorrega,
Do paço médico mor,
Que os doentes se encarrega
De mandar para melhor.
Eis o Doutor Escorrega!
No bem da humanidade dos dias seus emprega!
CORO - Eis o Doutor Escorrega
No bem da humanidade os dias seus emprega!
II
O DOUTOR
- Há quatro meses somente
Da Academia sai:
Já matei radicalmente
Cinco ou seis tipos daqui!
Eis o Doutor Escorrega!
No bem da humanidade dos dias seus emprega!
(Declamando.) Viram o médico do paço?
Vejam agora o passo do médico! (Dança
um burlesco sapateado durante o seguinte coro:)
CORO - Ah! Ah! Ah!
Quem mais burlesco,
Quem mais grotesco
Será? Será?
Passo indecente!
De rir à gente
Vontade dá!
Ah! Ah! Ah!
(Findo o coro, entra o pajem a correr.)
PAJEM - Limpem fatos
E sapatos,
Que aí vem El-rei!
(Cada um dos cortesãos tira uma escova
do bolso: limpam-se uns aos outros.)
CORTESÃOS - Zás! Trás! Zás!
Trás! Zás! Trás!
Fatos limpos e sapatos!
Que aí vem El-rei!
PAJEM - Vim prevenir-vos depressa,
Mal que o avistei!
CORTESÃOS (A escovarem-se.)
- Pressa! pressa! pressa! pressa!
Que aí vem El-rei!
(Aparece ao fundo numerosa e luzida comitiva,
que precede El-rei que vem acompanhado de coiteiros,
trazendo petrechos de caça.)
MARCHA E CORO GERAL - Praça! Praça!
Praça! porque aqui está
El-rei que vem da caça!
Toca trombeta: trá lá rá!
EL REI (À boca de cena.)
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