Outros livros grátis

Alemão

Espanhol

Francês

Inglês

Italiano

Português

 

Bibliotecas Virtuais

»Autores Africanos Do Rovuma ao Maputo

»Fernando Pessoa

»Luíz Vaz de Camões

»Biblioteca Virtual

»Fundação Biblioteca Nacional

»Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro

»Projecto Vercial

»Jornal da Poesia

»Biblioteca Virtual de Educação

»Biblioteca Virtual de Direitos Humanos - USP

 
 

Destaques

::O Chalaça-Favorito do Império
Assis Cintra
Francisco Gomes da Silva, que morreu como conselheiro do Império e Conde de Ourem, foi uma das interessantes figuras que viveram nas intrigas palacianas da Corte de D. João VI e Pedro I.
 

Ferramentas

:: Para abrir os livros:
»WinZip
:: Para ler os livros:
»Acrobat Reader
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Dúvidas

»O que é um livro eletrônico?

»
Como leio um livro eletrônico?

»
Posso imprimir o livro eletrônico?

»Por que tenho que ler o livro eletrônico no Adobe Acrobat Reader?

»
Quanto tempo para copiar um livro eletrônico?
 
 
A NORMALISTA
Adolfo Caminha
VirtualBooks
Formato:e-book/ PDF
Código:VBOA NORMALISTA
© VirtualBooks 2002

Disponibilidade: Grátis para você para baixar agora!
Software Grátis requerido: Adobe Acrobat Reader

Trechos do livro eletrônico

A NORMALISTA
Adolfo Caminha


João Maciel da Mata Gadelha, conhecido em Fortaleza por João da Mata, habitava, há anos, no Trilho, uma casinhola de porta e janela, cor de açafrão, com a frente encardida pela fuligem das locomotivas que diariamente cruzavam defronte, e de onde se avistava a Estação da linha férrea de Baturité. Era amanuense, amigado, e gostava de jogar víspora em família aos domingos.
Nessa noite estavam reunidas as pessoas do costume. Ao centro da sala, em torno de uma mesa coberta com um pano xadrez, à luz parca de um candeeiro de louça esfumado, em forma de abajur, corriam os olhos sobre as velhas coleções desbotadas, enquanto uma voz fina de mulher flauteava arrastando as sílabas numa cadência morosa: - Vin...te e quatro! Sessen...ta e nove!... Cinqüen...ta e seis!...
Havia um silêncio morno e concentrado em que destacava o rolar abafado das pedras no saquinho da baeta verde.
A sala era estreita, sem teto, chão de tijolo, com duas portas para o interior da casa, paredes escorridas pedindo uma caiação geral. À direita, defronte da janela, dormia um velho piano de aspecto pobre, encimado por um espelho não menos gasto. O resto da mobília compunha-se de algumas cadeiras, um sofá entre as duas portas do fundo, a mesa do centro, e uma espécie de console, colocada à esquerda, onde pousavam dois jarros com flores artificiais.
De onde em onde zunia o falsete do amanuense:
- Quadra! Ou caçoava: - Os anos de Cristo!... Os óculos do Padre Eterno!
Risadinhas explodiam a espaços, gostosas, indiscretas - uma pilhéria ricocheteava nos quatro ângulos da mesa.
- É boa! É boa! fazia João da Mata erguendo a cabeça, mostrando a dentuça.
Depois voltava o silêncio, e a voz fina de mulher continuava a cantar os números solenemente.
- Víspora! saltou de repente um rapazola de óculos, bigodinho fino, flor na botoeira do fraque de casimira clara.
Toda gente o conhecia - era o Zuza, quintanista de direito, filho do coronel Souza Nunes.
- Podem conferir, disse erguendo-se, risonho - segunda linha.
E estendeu o braço, passando o cartão para o amanuense.
- Não desmarquem, não desmarquem, recomendou este espalmando a mão. Pode ter sido engano. Errare humanum est...
Houve um ligeiro sussurro de vozes e de caroços rolando sobre a mesa com um surdo ruído de contas desfiadas. Todos desfizeram as marcações.
Numa das extremidades sentava-se João da Mata, de paletó de fazenda parda sobre a camisa de meia, costas para a rua.
À direita mexia-se uma senhora gorducha, de seus trinta anos, metida num casaco frouxo de rendas, cabelo penteado em cocó, estampa insinuante, bons dentes: era a mulher do amanuense, que passava por sua legítima esposa não obstante as insinuações malévolas da alcovitice vilã que entrevira escândalos na vida privada de D. Terezinha. Contudo, era tida em conta de excelente dona-de-casa, honesta, dizendo-se relacionada com as principais famílias de Fortaleza.
Ninguém ousava mesmo dirigir-lhe um gracejo de mau gosto, uma pilhéria calculada. Inventava-se - calúnias do populacho - que se correspondia ocultamente com o presidente da província. Ela, porém, gabava, batendo no peito com orgulho, que tinha uma vida limpa, graças a Deus; que isso de patifarias não lhe entrava em casa, não, mas era o mesmo. Estava ali o Janjão que não a deixava mentir.
Ao pé de D. Terezinha aprumava-se Maria do Carmo, afilhada de João, uma rapariga muito nova, com um belo arzinho de noviça, morena-clara, olhos cor de azeitonas, carnes rijas, e cuja atenção volvia-se insistentemente para o Zuza.
As outras pessoas eram também da intimidade: o Loureiro, guarda-livros da firma Carvalho & Cia., o Dr. Mendes, juiz municipal, mais a senhora, a Lídia Campelo, filha da viúva Campelo, e o estudante. Às vezes ia mais gente e o víspora prolongava-se até meia-noite.

:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

copiar o livro agora

 

sobre o autor

:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Copyright© 2000/2002 Virtualbooks Todos os direitos reservados.  All rights reserved.