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A noite, límpida e calma, tinha sucedido
a uma tarde de pavorosa
tormenta, nas profundas e vastas florestas que
bordam as margens do Parnaíba, nos limites
entre as províncias de Minas e de Goiás.
Eu viajava por esses lugares, e acabava de chegar
ao porto, ou
recebedoria, que há entre as duas províncias.
Antes de entrar na
mata, a tempestade tinha-me surpreendido nas vastas
e risonhas
campinas, que se estendem até a pequena
cidade de Catalão, donde eu havia partido.
Seriam nove a dez horas da noite; junto a um
fogo aceso defronte da porta da pequena casa da
recebedoria, estava eu, com mais algumas pessoas,
aquecendo os membros resfriados pelo terrível
banho que a meu pesar tomara. A alguns passos
de nós se desdobrava o largo veio do rio,
refletindo em uma chispa retorcida, como uma serpente
de fogo, o clarão avermelhado da fogueira.
Por trás de nós estavam os cercados
e as casinhas dos poucos habitantes desse lugar,
e, por trás dessas casinhas, estendiam-se
as florestas sem fim.
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