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FRITZMAC
ALUÍSIO AZEVEDO & ARTUR AZEVEDO
Revista fluminense de 1888, em prosa e verso, em um prólogo, três atos e dezessete quadros
Pessoas do povo, peixes, coelhos, flores, mendigos, vagabundos, convidados, jornalistas, artistas líricos, soldados, etc.
Nesta Edição não se fizeram as alterações exigidas pelo Conservatório Dramático, pela Polícia e pelas inconveniências de cena.
PRÓLOGO
Quadros 1, 2 e 3
Laboratório sombrio e diabólico. Ao levantar o pano, o velho Fritzmac está ocupado nalgum trabalho de alquimia. Ao ver o público, ergue-se, aplica bem a vista, deixa o que está fazendo e vem ao proscênio. Música em surdina na orquestra desde o levantar do pano até a entrada de Pero Botelho.
CENA I
FRITZMAC, depois PERO BOTELHO
[FRITZMAC] -
Meus senhores, eu sou Fritzmac, o alquimista:
A falta de outro artista,
O prólogo farei da pândega revista.
Desgostoso da terra,
Onde sofri dos homens dura guerra,
Ao serviço me pus
Do bom Pero Botelho,
Diabo assaz conhecido,
Bon vivant, divertido,
Que bons cobres me dá, me trata por meu velho,
No conceito me tem do rei dos nigromantes,
E em breve - ele é que o diz - vai dar-me uma grã-cruz,
De ouro de lei, rodeada de brilhantes!
Um presente de truz!
(Pequena pausa.)
Do Botelho citado,
Um capricho engraçado
Vai ser, senhores meus, o ponto de partida
Da frívola comédia a que ides assistir.
Quando a revista, por desenxabida,
Vos obrigue a dormir...
(Acelera-se o movimento da música.)
Mas que ouço!! A concluir sou forçado de chofre!
Vem barulho do chão... sinto cheiro de enxofre!
(Endireitando aqui e ali algum objeto.)
É o patrão!
Atenção!
Vai abrir-se o alçapão!
Verão!
(Música forte. Pero Botelho surge do alçapão, acompanhado de labaredas. Cessa a música.)
PERO BOTELHO - Não te enganes, Fritzmac, sou eu. (Consultando o relógio.) Meia-noite: é a minha hora, meu velho. Não sou desses demônios de hoje, que se enfaram de modernismo, e desdenham os costumes dos nossos avós. É justamente por isso que te procuro, amigo.
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