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O SINO
Hans Christian Andersen
UMA
tarde, ao por-do-sol, quando entre os tubos das
chaminés se vêem fragmentos de nuvens
douradas, ouviu-se um som muito estranho.
Primeiro ouviu-o uma pessoa,
e outra a seguir; parecia o som de um sino de
igreja, mas só durava um instante e se
desvanecia abafado pelo barulho dos veículos
e pelos gritos das pessoas nas ruas.
- Já soa o sino da
tarde - dizia o povo - 0 sol chegou ao seu ocaso.
Os que saíam da cidade
e se encontravam nos arredores, onde as casas
são separadas e cada uma delas possui um
jardim maior ou menor, viam a estrela do Pastor
e ouviam muito melhor o tilintar do sino. Parecia
vir de uma igreja situada dentro de um bosque
silencioso e perfumado e todos olhavam naquela
direção, com expressão respeitosa.
Passou-se algum tempo e todos
diziam uns aos outros:
- Existirá alguma
igreja no bosque? Esse sino tem um som extremamente
doce. Vamos até lá, a fim de ver
se é possível descobri-la.
Os ricos faziam o percurso
de carro e os pobres a pé, mas o caminho
era longo. Ao chegarem a um grupo de salgueiros
que cresciam nos limites do bosque sentaram-se
e olharam por entre os ramos, acreditando já
estarem na metade do caminho.
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