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O
SAPO SONHADOR
Cleusa
Sarzêdas
Na
beira de um pequeno lago em um terreno baldio, um
sapo vivia. Ele era diferente de todos os outros:
sua pele lisa tinha um prateado claro, com listras
marrons. No alto da cabeça, um desenho dourado
semelhante a uma coroa. Seus olhos eram da cor do
céu. Sonhava ser rei daquele lugar, comandar com
muito amor seus irmãos e irmãs e protege-los dos
animais malvados e dos humanos que ali chegavam
para caçar as rãs. Irresponsáveis, muitos nem
sabiam a diferença entre uma rã e um sapo,
matando-os até descobrirem o que queriam. Seria
um paraíso!
Cada morador teria o próprio nome, e iria
à escola para aprender a ler e saber a razão de
ter nascido e qual a participação de cada um no
mundo. Teria casa, trabalho e família. Os adultos
trabalhariam para os menores e todos seriam
respeitados.
Ele,
como rei, casaria com sua namorada, uma linda
sapinha de grandes olhos negros, que seria a
rainha. Teriam muitos filhos e formariam uma
grande família abençoada por Deus.
Naquele
momento, uma claridade cobriu o lago e o sapo
sonhador viu-se
sentado num trono com enorme coroa sobre a cabeça.
O terreno e o lago eram o seu reino e a
sapinha de olhos negros transformara-se em sua
esposa. A população, composta de anfíbios e répteis,
era muito
feliz, vivia cantando. Ali morava a felicidade! Mas os súditos percebiam
uma tristeza no rei e comentavam que a rainha não
queria filhos, pois alegava
darem muito trabalho e ela dizia não ter
tempo para
cuidar deles.
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