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O Rei do Rio de Ouro
Charles Dickens
VirtualBooks
Formato: e-book/ PDF
Código: bvbbogcx00223
© VirtualBooks 2001,
Idioma: português
Disponibilidade: Grátis para você para baixar agora!
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Trechos do livro eletrônico

O Rei do Rio de Ouro
Charles Dickens

CAPÍTULO I

Como o senhor vento sudoeste se meteu no sistema de lavoura dos irmãos negros

Numa remota e montanhosa região da Estíria, houve noutros tempos um vale da maior e mais surpreendente fertilidade. Era completamente rodeado de montanhas escarpadas e rochosas cujos picos muito altos estavam sempre cobertos de neve e de onde corriam em constantes cataratas inúmeras torrentes. Uma destas montanhas era tão alta que, quando o sol se punha para tudo o mais - e já em volta dominava a escuridão - ainda os seus raios brilhavam intensamente sobre o rio que se despenhava do seu cume, dando-lhe o aspecto de um chuveiro de ouro. Por esse motivo o povo daqueles sítios chamava-lhe o Rio de Ouro.

Era estranho que nenhuma daquelas torrentes ia cair no vale, mas todas desciam pelos outros lados dos montes e serpenteavam através de vastas planícies e cidades populosas. As nuvens eram impelidas tão constantemente para os picos cobertos de neve e ficavam tanto tempo por sobre aquela concavidade, que, nas épocas das grandes secas e do calor, quando os campos próximos estavam queimados, ainda chovia no valezinho; as suas colheitas eram tão abundantes, e o seu feno tão alto, e as suas maçãs tão vermelhas, e as suas uvas tão roxas, e o seu vinho tão rico, e o seu mel tão doce, que era uma maravilha para quem os possuía e todos o conheciam pelo nome de Vale do Tesouro.

Todo este vale pertencia a três irmãos chamados Schwartz, Hans e Gluck. Schwartz e Hans os dois irmãos mais velhos, eram muito feios, de sobrancelhas salientes, olhos pequenos e baços, sempre semicerrados para que ninguém pudesse ver o que eles pensavam e eles vissem o que pensavam as outras pessoas.
Viviam da lavoura do Vale do Tesouro e eram muito bons lavradores. Matavam tudo o que não compensasse o que comia. Matavam os melros, porque bicavam a fruta; matavam os ouriços para não sugarem as vacas; envenenavam os grilos para não comerem as migalhas na cozinha e matavam as cigarras que costumavam cantar todo o Verão em cima das limas. Faziam trabalhar os criados sem lhes pagar, até que eles se recusavam a isso; então questionavam com eles e mandavam-nos embora sem lhes dar absolutamente nada.

Seria muito estranho se, com uma propriedade daquelas e semelhante sistema de se governarem, não enriquecessem. E enriqueceram.

Em geral arranjavam as coisas para conservar o trigo em seu poder até que ele encarecia e então vendiam-no pelo dobro do que ele valia; tinham montões de ouro no chão da sua casa, mas não constava que tivessem alguma vez dado dinheiro ou alguma côdea, de esmola a alguém. Nunca iam à missa, resmungavam sempre que pagavam as décimas e, numa palavra, eram tão cruéis e tinham tão mau génio que as pessoas que precisavam lidar com eles os tinham alcunhado de Irmãos Negros.

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